Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 21/08/2020
O livro “Alice no País das Maravilhas” escrito durante um período de grande desenvolvimento tecnológico, a “Belle époque”, faz alusão a repercussão dessas mudanças no âmbito social quando retrata o personagem coelho com um relógio preocupado com um suposto atraso. Fora da ficção, a sociedade contemporânea está cada vez mais preocupada com o tempo e, como consequência, abre mão da promoção de seu bem-estar. Nesse sentido, é importante analisar como o autocuidado emocional e físico promove a saúde mental e a qualidade de vida.
Em primeira análise, é lícito postular a promoção da saúde mental advinda do ato de cuidar de si. Segundo a psicóloga Elisabete Colombo, a psicoterapia é uma forma de fazer com que o indivíduo se autoconheça e aprenda a lidar com as emoções, conflitos internos e a tomar decisões. Como resultado disso, problemas psicológicos, como ansiedade e depressão, podem ser diagnosticados e tratados nas sessões de terapia. Dessa maneira, é nítido os reflexos do autocuidado na saúde mental.
Faz-se mister salientar, ainda, a relevância do cuidado físico na melhoria das condições de vida. De acordo com o médico Juliano Pimentel, a prática regular de atividade física libera serotonina, hormônio que propicia a melhoria do humor e da disposição. Além desses benefícios, o esporte é capaz de melhorar a qualidade do sono e principalmente aumentar a autoestima. Desse modo, é possível notar como o incentivo ao cuidado pessoal promove inúmeros benefícios a quem exerce.
Infere-se, portanto, a necessidade de medidas aptas a incentivar o cuidado corporal e psicológico. Logo, urge que o Governo em parceria público-privada com instituições de psicologia, por meio de incentivos fiscais a essas, implante programas de terapias gratuitas nos Centros de Ensino Unificado, como forma de incentivar o autoconhecimento e, concomitantemente, promover o desenvolvimento da cultura do autocuidado. Ainda, com o auxílio das mídias, como a internet e televisão, é necessário a criação de campanhas as quais incentivem a prática de atividades corporais. Dessa forma, será possível o distanciamento da preocupação apenas com o tempo, como ocorre no conto de Lewis Carroll, e a aproximação da valorização do cuidado individual.