Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 22/08/2020

No século XX, diante das grandes transformações que a Terceira Revolução Industrial ocasionou, os modos de viver das pessoas foram profundamente alterados, pois, com a grande evolução dos meios de produção, os indivíduos passaram a ter um nível de tecnicidade profissional nunca antes visto na história. Em consequência disso, muitos problemas surgiram, tendo um claro destaque para o fato de que, na atualidade, as pessoas investem mais tempo no seu aperfeiçoamento profissional do que na sua própria saúde. Nesse sentido, um outro agravante que se observa é o da influência que essas mudanças sociais exercem sobre as crianças, o que pode vir a gerar novos adultos displicentes com seus próprios corpos.

Nesses termos, vale uma análise mais profunda acerca da falta de autocuidado na contemporaneidade. Atualmente, tornou-se comum a aparição de índices alarmantes de obesidade e depressão, principalmente nos grandes centros urbano. No entanto, na contramão desses problemas, os índices de educação e de profissionalização continuam a subir em nível global, conforme apontou as últimas pesquisas da Organização das Nações Unidas. Toda essa conjuntura demonstra que é inegável o fato de que as pessoas do século XXI supervalorizam o trabalho e a ascensão pessoal em detrimento da sua própria saúde interior, fato que pode majorar os números de doenças no futuro.

Sobredita algumas das partes que integram a temática levantada, vale, ainda, mencionar os problemas que as referidas mudanças social podem causar nas novas gerações. O sociólogo Émile Durkheim dizia que os fenômenos da vida social, mesmo sendo exteriores aos indivíduos, possuem um poder de coerção muito grande sobre eles. A assertiva do pensador reflete exatamente o que as crianças da atualidade viverão no decurso de suas vidas, haja vista que, estando elas imersas num mundo no qual a vida profissional é o elemento principal do dia dia, os seus imaginários tendem a se desenvolver de modo deficiente, como já se desenvolveu o da maioria dos adultos do mundo atual.

Dito isso, é nítido que muitos são os desafios para que os problemas da pós-modernidade sejam sanados. Logo, faz-se necessária a criação de políticas públicas que venham a causar o máximo de contentamento possível, parafraseando o filósofo Jeremy Bentham. Portanto, urge que o Governo Federal faça programas de incentivos às práticas de exercícios, criando cartilhas de ensino de técnicas de alongamentos e de musculação com o peso do corpo. Com isso, as pessoas poderiam se exercitar em qualquer lugar, mudando gradualmente os seus estilos de vida. Ademais, é mister que o Ministério da Educação crie, nas escolas de ensino primário, aulas que ensinem as crianças que o autocuidado é algo que sempre deve ser priorizado, o que lhes daria melhores saberes os seu próprios corpos.