Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 24/08/2020
O desgaste da produtividade excessiva
“Por falta de repouso nossa civilização caminha para uma nova barbárie”. Essa frase de Friedrich Nietzsche relata muito bem o que se vive na contemporaneidade, em que os indivíduos são assolados pelas enfermidades mentais, uma vez que em um tempo que preza pela produção desenfreada, a saúde mental é negligenciada cada vez mais e, como consequência, os danos psicológicos são inevitáveis e cada vez mais comuns.
O filósofo Byung-Chul Han, retrata em seu livro “Sociedade do Cansaço” como a ideia de desempenho maximizado é dada como essencial e positiva pelo atual sistema capitalista. Por conseguinte, o que antes era cobrado através da disciplina, agora é a partir da motivação e incentivo, o que faz com que o próprio indivíduo pressione a si mesmo, não só no trabalho, mas em todas as áreas de sua vida. Portanto, no sentido de produzir cada vez mais, incessantemente e sem descansos, a necessidade de cuidar de si mesmo é vista como um luxo e, por isso, uma perda de tempo, sendo deixada em segundo -se não último- lugar pelos indivíduos.
Consequentemente, pela falta de autocuidado, depressão, ansiedade, síndromes psicológicas, entre outros transtornos mentais, são cada vez mais presentes na sociedade. Hoje, o Brasil é o país com maior número de pessoas ansiosas, e além disso, a OMS (Organização Mundial da Saúde), estima que 86% dos brasileiros sofrem com alguma doença psicológica, segundo a Revista Veja. Assim, a sociedade contemporânea atual caminha à beira de um colapso mental.
Destarte, é imprescindível que medidas sejam realizadas para resolver esse problema. O Ministério da Saúde, além de campanhas midiáticas para a conscientização sobre a importância do autocuidado para uma melhor qualidade de vida, deve juntamente com o Governo, oferecer o fácil acesso à população a atendimentos psicológicos e auxílio financeiro àqueles que necessitam de medicações e não podem arcar com os custos. Além disso, é necessário também a introdução de aulas nas instituições de ensino desde a educação primária sobre a relevância do zelo com a saúde mental, assim como a disponibilização de psicólogos nos ambientes escolares e de trabalho. Assim, aos poucos será possível desmistificar o conceito de produtividade sem qualidade de vida e impedir a barbárie social já prevista por Nietzsche.