Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 25/08/2020

O livro de Gênesis cita, na Bíblia, o episódio em que Deus determina ao homem, enquanto durar sua existência, que terá de trabalhar para prover seu sustento. Dessa forma, a imposição divina consistiu em que Adão deveria trabalhar para viver, e não viver para trabalhar. Entretanto, na sociedade atual ocorre o contrário, não à toa muitos desenvolvem a Síndrome de Burnout, causada pelo esgotamento físico e mental relacionado à vida profissional, quando associado com a ausência do autocuidado.

Válido ressaltar que o adolescente, ao final do ensino médio, é obrigado socialmente a prestar vestibular no intuito de iniciar a jornada que desenhará seu futuro, a vida profissional. Contudo, é sabido que a maioria não possui maturidade suficiente para escolher a profissão que exercerá para o resto de sua vida. Posteriormente, ao não se identificar com o ramo escolhido, o jovem torna-se um profissional com um diploma em mãos, porém frustrado, uma vez que irá trabalhar por obrigação, sem amor à profissão, ocasionando o desgaste emocional. Assim, somado à frustração e tristeza, o trabalhista desmotiva-se, o que resulta em quadros de ansiedade e depressão e a consequente perda da saúde mental.

Ademais, tal como ocorreu na Revolução Industrial, época na qual as indústrias exploravam brutalmente os trabalhadores com pesada carga horária, hoje não é diferente. Ora, a desqualificação da mão-de-obra, as pressões dos chefes, o assédio moral (humilhação e situações vexatórias), os baixos salários não condizentes com a excessiva carga laboral exercida pelo empregado perduram até a atualidade. Para exemplificar, cita-se o conto de fadas Cinderela, no qual a menina órfã foi desprezada e maltratada pela madrasta, pois submetia a criança à realização de atividades domésticas escravizantes. Não à toa, ficou conhecida como gata borralheira e desenvolveu um comportamento depressivo, com baixa autoestima. Nesse sentido, como consequência, a classe trabalhadora perde a qualidade de vida e desenvolve a Síndrome de Burnout, em virtude da exaustão física e mental.

Portanto, a sociedade precisa, urgentemente, de mudanças a fim de desenvolver o autocuidado. Para isso, é necessário que os Poderes Executivo e Legislativo contratem psicólogos e psicopedagogos, para as escolas, no intuito de ensinar o jovem a cuidar de sua saúde mental, bem como auxiliar na escolha da sua profissão. Além disso, os aludidos Poderes devem desenvolver programas profissionalizantes aos profissionais, por meio de investimentos financeiros, para qualificar e encarecer sua mão-de-obra e, consequentemente, serem mais valorizados e obterem maior qualidade de vida. Só assim, a sociedade cultivará a cultura do amor próprio, ou seja, traçará outro caminho, que não seja aquele que tem seguido desde a Revolução Industrial.