Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 27/08/2020

De acordo com o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, a contemporaneidade é marcada pela sociedade do desempenho, onde os indivíduos priorizam a produtividade e negligenciam a saúde mental. Dessa maneira, nota-se empecilhos no que concerne à apropriação das práticas do autocuidado, seja pelo dinamismo rotineiro, seja pela vida de aparências nas mídias digitais.

Em primeira instância, é fulcral analisar a estrita relação entre a sobrecarga cotidiana e a falta da cultura do autocuidado na sociedade brasileira. Nesse panorama, segundo Byung-Chul Han, os cidadãos contemporâneos vivenciam uma realidade multitarefal e demasiadamente dinâmica. Como efeito, isso gera uma sociedade do cansaço, psicologicamente desgastada. Dessa forma, nota-se a imprescindibilidade da adoção da cultura do autocuidado como forma de reconstruir e de recompor a saúde mental perdida pelo gasto de energia emocional.

Ademais, a exposição de uma vida supostamente perfeita nas redes sociais prejudica, ainda mais, a saúde psíquica daqueles que observam. Nesse viés, o filósofo contemporâneo Zygmunt Bauman afirma que a pós-modernidade é caracterizada por uma sociedade de aparências, na qual os indivíduos buscam expressar uma falsa felicidade. Consequentemente, isso acarreta um sentimento de insuficiência, afetando a autoestima daqueles que assistem essa vida ilusória. Logo, a prática do autocuidado faz-se de suma importância como forma de aumentar a autoestima afetada por esse fenômeno do século XXI.

Não restam dúvidas, portanto, que o hábito de cuidar-se abrolha resultados positivos na vida de quem pratica. Urge, então, que as mídias, em conjunto com influenciadores digitais, com vistas em incentivar o autocuidado, informe a população sobre a importância dessa prática, por meio de publicações feitas por usuários relevantes na Internet que praticam a cultura de cuidar-se e recomendam esse hábito, expondo as consequências positivas que tal ato proporciona, seja a recomposição emocional prejudicada pela rotina pesada, seja a elevação da autoestima. Como efeito, espera-se uma sociedade não mais cansada, mas disposta a cuidar do próprio corpo.