Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 25/08/2020

No filme Extinção, lançado em 2018, o personagem principal, Peter, demonstra, desde as primeiras cenas, estar sofrendo de stress, chegando a ter pesadelos, dificuldade de concentração e até desmaios, entretanto, mesmo passando por sérios problemas Peter retarda ao máximo a ida a um profissional. Fora das telas do cinema, também é normal para grande parte da população postergar os cuidados a saúde, isso se deve principalmente à falta de incentivo à adoção de práticas saudáveis durante a vida, além do descaso da maior parte da sociedade em relação a necessidade de consultar um médico regularmente.

Em primeira análise, percebe-se que mesmo com a inclusão de educação física nas escolas desde o ensino fundamental, não houve grande adesão da população à hábitos de vida saudáveis, já que não é ensinado as crianças a real importância das atividades físicas para aumentar a longevidade e evitar doenças, deste modo a educação física se torna apenas um momento de descontração sem interferência nos hábitos cotidianos de crianças e adolescentes. Já como dizia na obra Ética a Nicõmaco, de Aristóteles, é função do governo garantir a felicidade dos cidadãos, o que não é presenciado na realidade, devido a negligência estatal ao incentivar práticas que poderiam melhorar a qualidade de vida de diversas pessoas.

Em segunda análise, é notável a falta de procura a profissionais de saúde para o monitoramento precoce de doenças por uma parcela da sociedade, este desprezo com pequenas práticas de prevenção, tais como consultas e exames de rotina, podem levar ao agravamento de doenças que poderiam ter sido evitadas, se tratadas antes de seu desenvolvimento, o que também ocasiona no questionamento da função social dos sistemas públicos de saúde, como o SUS, já que, uma vez que não seja procurada pela população, a instituição preterida torna-se uma instituição fantasma, assim como apontava o sociólogo Zygmunt Bauman.

Tendo tudo isto em vista cabe ao ministério da educação, atualmente liderado pelo ministro Milton Ribeiro, em conjunto com o ministério da saúde, desenvolver um método de ensino que mude à aplicação das aulas de educação física, tornando-a além de descontraída, eficiente em explicar a importância de hábitos saudáveis para melhorar a qualidade de vida e aumentar a longevidade, visando interferir de modo positivo na adesão das futuras gerações a estas práticas. Somado a isto, deve-se promover a importância de se consultar frequentemente para realização de exames de rotina, assim combatendo doenças antes que atinjam estados mais avançados.