Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 26/08/2020
Na entrada do Oráculo de Delfos, local atribuído a Apolo, deus da mitologia grega da verdade e da luz, existia uma frase do filósofo Sócrates ‘‘Conhece-te a ti mesmo’’. Notadamente, uma referência a importância do indivíduo de ter ciência de suas qualidades e deficiências para usufruir de uma vida mais saudável. Nessa lógica, é necessário analisar a questão da saúde mental e a importância da cultura do autocuidado. Dessa forma, nota-se não só uma conjuntura educacional deficiente, como também a dissonância entre a Constituição Cidadã e o cenário exposto.
A princípio, o professor Paulo Freire defendia uma pedagogia libertadora, dado que denunciava a postura tecnicista do ensino tradicional. Nesse sentido, as escolas, há tempos, imprimem uma formação que objetiva, sobretudo, a inserção do indivíduo no mercado de trabalho, em detrimento ao pensamento analítico, defendido por Freire. Ao passo que é possível compreender os índices divulgados pelo consultor de carreira Fredy Machado, o qual declara que 90% dos brasileiros estão infelizes em suas profissões. Desse modo, observa-se um campo propício aos emblemas elencados à saúde mental, como, por exemplo, stress e ansiedade. Sendo assim, é salutar transformar o sistema educacional.
Outrossim, a partir da interpretação da Constituição de 1988 percebe-se que o Estado deve garantir um ambiente que proporcione o desenvolvimento pleno do cidadão, no entanto, a realidade expõe uma contrariedade. Esse paradoxo, por sua vez, expressa-se pela falta de políticas públicas voltadas ao pensamento contemplativo de conhecimento próprio, segundo a filosofia socrática, o qual pode ser verificado pela desvalorização de espaços públicos, como teatros e bibliotecas, que estimulam a reflexão. Nessa perspectiva, ecoa-se o ‘‘Enigma da Modernidade’’, do filósofo Henrique de Lima, o qual afirma que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. À vista disso, verifica-se o desacordo ante os dispositivos constitucionais e a narrativa factual.
Logo, verifica-se um cenário que precisa ser mudado. Para tanto, é imprescindível que o Terceiro Setor realize palestras destinadas ao Ministério da Educação, por meio de depoimentos de pedagogos, que expliquem a importância de uma educação pautada nos ensinamentos de Paulo Freire, com a finalidade de as escolas desenvolverem indivíduos mais conscientes ao pensamento analítico. Ademais, é favorável que o Poder Executivo construa, mediante verbas públicas, espaços destinados à leitura e às artes dramáticas, com o intuito de que haja consonância com a Constituição e os fatos reais, no tacante à ação do Estado. Para isso, é importante realizar um mapeamento logístico que identifique áreas que não tenham tais serviços. Dessa forma, mitigar-se-ão os emblemas relacionados à saúde mental e, por fim, ter-se-á uma cultura do autocuidado no tecido social.