Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 03/09/2020

Consoante a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 196, a saúde – direito de todos e dever do Estado – deve ser garantida mediante políticas sociais e socioeconômicas que visem à redução do risco de doenças e outros agravos. Todavia, quando se observa a saúde mental da população, no Brasil, hodiernamente, nota-se que, em razão da dinâmica social e da ineficiência governamental, parte dos cidadãos sofrem com patologias mentais, fato que evidencia a não garantia de um direito previsto na Carta Magna brasileira. A princípio, cabe pontuar que a dinâmica social do mundo contemporâneo é potencialmente nociva ao bem-estar dos indivíduos, visto que, segundo o conceito de modernidade líquida do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a fluidez do mundo globalizado mudou determinadas estruturas sociais, tornando-as voláteis e instáveis, o que, por conseguinte, gera incertezas e excessos emocionais nas pessoas. Somado a isso, a inoperância estatal no que tange à prevenção dos danos intrínsecos a essa realidade também é um fator relevante à manutenção desse problema, já que é seu dever garantir a saúde dos cidadãos. Desse modo, infere-se que há a inevitabilidade de se mudar essa conjuntura hodierna. Ademais, convém frisar que uma das principais consequências provenientes dessa realidade nacional está no aumento dos casos de depressão e ansiedade no Brasil, haja vista que tais doenças, além de suprimirem o bem-estar do indivíduo, afetam a sociedade em geral, posto que, em virtude de suas características incapacitantes, tais enfermidades impossibilitam a atuação de grande parte dos cidadãos nos mais diversos âmbitos sociais. Uma prova da dimensão dessa adversidade está em dados publicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), nos quais é possível notar que cerca de 6% da população sofre com a depressão e aproximadamente 10% sofre com a ansiedade. Dessa forma, depreende-se que há a indispensabilidade de, por meio de políticas efetivas, atenuar esse problema no país. Dessarte, a partir dos argumentos mencionados, é imprescindível que o Ministério da Saúde, em conjunto com o Ministério da Educação, crie projetos que visem mitigar a problemática em questão. Com base nessa premissa, é primordial que ocorra a implementação de campanhas em escolas de todos o país acerca do combate aos problemas inerentes à saúde mental do povo brasileiro, recorrendo a palestras – ministradas por médicos especialistas e psicólogos – com a participação de alunos e familiares, com o intuito de esclarecer à população sobre as causas e consequências dessas enfermidades psíquicas, mostrar ações de prevenção e orientar à procura de unidades básicas de saúde caso o cidadão apresente sintomas característicos de determinadas doenças. Tudo isso com o propósito de que o tecido social, enfim, se beneficie de um direito constitucional e indispensável à humanidade – a saúde.