Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 28/08/2020
A Constituição Federal de 88 foi promulgada com promessa de assegurar os direitos de todos os brasileiros. No entanto, apesar da validação constitucional, percebe-se que a saúde mental configura-se uma lacuna no princípio da isonomia. Posto isto, nota-se que a saúde mental e importância do autocuidado, possuem alicerces frágeis no país, em decorrência não só dos estigmas sociais, mas também da minimização e negligência da problemática.
Pregresso a reforma psiquiátrica no Brasil, a população portadora de doença mental era assistida por meio de internamentos compulsórios em manicômios em condições desumanas e submetidos a terapia de choque. Após o movimento da reforma psiquiátrica foram estabelecidos novas formas de pensar a saúde mental, rompendo barreiras e reintrodução do sujeito na esfera das relações sociais. Apesar desses progressos, não obstante, há muito que se desconstruir da estigmatização social na saúde mental.
Do mesmo modo, a atenção a saúde mental e importância do autocuidado é pouco reconhecida pela sociedade, visto que, para uma grande parcela da população, a contemplação de saúde é apenas a ausência de enfermidades físicas. Dessa forma, as abordagens terapêuticas, principalmente o acompanhamento psicológico, ainda são negligenciadas por grande parte da sociedade e ocorrem majoritariamente na população com maior poder aquisitivo e de maior escolaridade.
Diante do exposto, as discussões e reconhecimento da importância da atenção a saúde mental e cultura do autocuidado são indubitavelmente emergentes. No país, desde 2013 foi desenvolvida a Política de Atenção a Saúde Mental, na qual pode ser fortalecida e discutida no ambiente acadêmico, com a integração do discentes, corpo docente, núcleo familiar e apoio psicológico, trazendo assim a responsabilidade social que compete ao estado e sociedade civil, e, consequentemente assegurar os direitos dos brasileiros previsto na Constituição Federal.