Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 03/09/2020

Na série americana “Insatiable”, a jovem Patty Bladell, após adentrar no universo dos concursos de beleza, via-se obrigada a ter um corpo cada vez mais magro e a manter um sorriso no rosto mesmo quando não estava feliz. Nesse contexto, conforme vencia os concursos, sua ansiedade e tristeza convertiam-se em transtornos alimentares e psíquicos que, embora não se expressassem fisicamente, destruíam seu psicológico. Hodiernamente, da mesma forma, a população adulta e jovem, devido à necessidade de inclusão a uma sociedade de falsas aparências e à prevalência do cuidado físico sobre o psicológico, vem apresentando uma saúde mental cada vez mais abalada.

Em primeira análise vale ressaltar que o surgimento da internet, bem como o uso excessivo das redes sociais são causas agravantes dos problemas relacionados à saúde mental, baixa autoestima e bullying. Nesse sentido, um estudo publicado pela Revista Lancet revelou que, entre os adolescentes que passam mais de cinco horas por dia nas redes sociais, o percentual de sintomas de depressão cresce 50% para meninas e 35% para meninos. Dessa forma, é inadmissível que tais fatores continuem contribuindo na formação de um obstáculo social com dimensões cada vez maiores.

Em segundo plano, vale salientar, que é preciso apoio a saúde mental de toda sociedade, visto que, independente da idade as pessoas estão sucetíveis a transtornos. Desse modo, um dos principais causadores de doenças mentais entre os jovens é o bullying, pois, segundo pesquisa realizada pela ONU, somente no Brasil, 43% dos jovens e crianças já foi vítima de bullying, tal percentual ainda desconsidera o ciberbullying que eclodiu com o advento da revolução tecnológica. Além disso, as consequências não se limitam ao bullying, uma vez que, entre os adultos a Síndrome de Burnout se destaca entre os causadores de problemas mentais, tal síndrome diz respeito ao esgotamento psicológico em âmbito laboral, que, em estágio avançado causa depressão.

Portanto, indubitavelmente, o Estado deve agir em prol de mitigar o impasse. Para informar a população brasileira a respeito do problema, urge, que o Sistema Único de Saúde (SUS) em parceria com o Ministério da Educação (MEC), crie, por meio de verbas governamentais, campanhas que visem discussões engajadas sobre a temática saúde mental - com o apoio de profissionais especilizados, como psicólogos, para fins de atendimento - em âmbito escolar e com intuito de extenção para instituições privadas, por exemplo, as empresas. Somente assim, será possível que adolescentes, desde cedo, aprendam a importância do bem-estar mental em suas vidas e, diferentemente de Patty Bladell, busquem um equilíbrio entre saúde física e psicológica.