Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 04/09/2020

A revolução industrial, que atingiu seu ápice no século XVIII, foi essencial para a modelagem da sociedade contemporânea, visto que desencadeou profundas alterações na jornada e meios de trabalho. Apesar da importância de tais mudanças, os efeitos colaterais são notáveis em uma sociedade que visa ao lucro e prioriza a eficiência do trabalhador acima de seu bem-estar, enquanto os índices de casos de transtornos psicológicos são crescentes. Assim, nota-se a importância da discussão sobre saúde mental e incentivo ao autocuidado.

No filme “Tempos Modernos”, protagonizado por Charles Chaplin, apresenta-se a realidade das indústrias contemporâneas: o papel do trabalhador é reduzido a semelhante ao desempenhado por máquinas. Os funcionários de fábricas são subjugados a uma jornada exaustiva em troca de uma remuneração muitas vezes baixa ou insuficiente; assim, a falta de dinheiro resulta na necessidade de definir prioridades: a renda é destinada ao necessário para a sobrevivência, enquanto os gastos com lazer e bem-estar são deixados de lado. Em outros casos, atividades como a prática de exercícios físicos deixam de ser realizadas em decorrência do cansaço e falta de tempo.

Por conseguinte, a partir do momento em que as saúdes mental passa para o segundo plano, os indivíduos se tornam mais propensos a desenvolverem transtornos psicológicos: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada cinco pessoas dentro de ambientes de trabalho podem sofrer de algum problema relacionado à saúde mental. Tais mazelas afetam os mais diversos ramos na vida de quem as experiencia, prejudicam seu desempenho profissional e dificultam relações interpessoais. Desse modo, torna-se evidente que a prática do autocuidado é necessária para o bem-estar de qualquer indivíduo, seja através da realização de atividades diárias, como praticar exercícios físicos, até a busca por ajuda profissional.

Portanto, nota-se que a rotina exaustiva vivenciada por milhares de brasileiros os priva do direito ao bem-estar e torna-os propensos ao desenvolvimento de transtornos psicológicos. Assim, cabe ao Ministério da Saúde, juntamente de empresas e instituições privadas, incentivar a priorização da saúde mental com palestras nos ambientes de trabalho e cartilhas que abordem o assunto e apontem meios acessíveis de desenvolver o hábito do autocuidado. Desse modo, será possível garantir que os cidadãos desfrutem de pleno bem-estar, diferente da realidade vivenciada desde o século XVIII.