Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 05/09/2020

Funcionando conforme a Lei da Inércia, a qual diz que todo corpo tende a permanecer em movimento até que uma força suficiente atue sobre ele, os problemas com a saúde mental tornaram-se comuns nos dias de hoje. Nessa perspectiva, observa-se que a herança histórica sociocultural de preconceito com o tema, em consonância à desatenção de todos os indivíduos, mantém a inércia da problemática em diversos lugares.

A princípio, pode-se afirmar que a mistificação sobre a saúde mental é legada das gerações passadas. Isso ocorre, segundo o filósofo Pierre de Bourdieu, em sua teoria Habitus, uma vez que as estruturas sociais são incorporadas durante o processo de socialização, fazendo com que comportamentos de uma determinada época sejam naturalizados pela sociedade ao longo das gerações. Assim, desde o século XVIII, em que a melancolia e a depressão passaram a serem escritas em poemas durante o Romantismo, esse sentimentalismo tornou-se comum. Consequentemente, na pós-modernidade, ainda não se entende a importância da saúde mental para uma vida plena.

É imprescindível pontuar, também, que as consequências dos transtornos relacionados à saúde mental são, principalmente, a ansiedade e o aumento nos casos de mortes por suicídio. Isso ocorre devido à falta de acompanhamento mental e psicológico, bem como a inconsciência de que o suicídio tem se tornado um grave problema de saúde pública. Referências disso podem ser encontradas no “site” da Organização Pan-Americana de Saúde que divulgou que o tabu e o estigma fazem com que os necessitados não procurem ajuda e não recebam o auxílio que precisam.

Destarte, medidas são necessárias para corrigir os impasses do adoecimento mental na modernidade. Portanto, cabe ao governo local de cada país, em conjunto com as prefeituras, disseminar a necessidade das atenções com a saúde mental, propondo palestras nas associações de bairro e escolas públicas, ministradas por psicólogos e psiquiatras, a fim de orientar e amparar toda a população. Sendo, por conseguinte, a diligência governamental e a o acesso à informação as forças capazes de mudar o rumo do problema: da existência para extinção.