Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 07/09/2020

No filme “Coringa” Arthur Fleck é um personagem vítima de vários distúrbios psíquicos e é ignorado e atacado por sua condição. Fora da ficção, essa realidade é vivenciada por várias pessoas, já que a preservação da saúde mental e do autocuidado são colocados em segundo plano perante a sociedade. Nesse sentido, a falta do incentivo pela busca de centros de ajuda e a negligência da população para com o problema são fatores que sustentam a problemática.

Sob uma primeira abordagem, nota-se que as políticas de ajuda psicológicas são pouco trabalhadas no Brasil, tendo em vista que milhares de pessoas possuem problemas, como a ansiedade e a depressão. Desse modo, descumpre-se o que está previsto na Constituição do país no que se refere à garantia dos direitos dos cidadãos, sobretudo o direito à saúde e à informação. Por fim, ratifica-se a tese desenvolvida pelo jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein acerca da Cidadania de Papel, isto é, embora o Brasil apresente uma conjunto de leis bastante consistente, elas se atêm, de forma geral, ao plano teórico. Logo, a falta da democratização dos centros de ajuda e a baixa qualidade desse serviço ofertado impedem que o problema seja resolvido.

Em segundo lugar, percebe-se que o direito ao autocuidado e o direito à preservação da saúde mental são negligenciados. Isso acontece, pois, segundo o filósofo Zygmunt Baumman, a sociedade é marcada por relações líquidas e superficiais entre os indivíduos, configurando uma espécie de apatia social. Nesse contexto, a indiferença para com o próximo dificulta que as pessoas acometidas por doenças psíquicas busquem tratamento, visto que esses problemas são vistos como “frescura” pelas pessoas, o que torna necessário resolver esse entrave.

Compreende-se, assim, que medidas são necessárias para combater o impasse. O Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de verbas, precisa promover propagandas nas mídias sociais que incentivem o tratamento à saúde mental e disponibilizar a essas pessoas, acompanhamentos psicológicos e psiquiátricos, com profissionais qualificados, a fim de que esse mal seja combatido no Brasil. Outrossim, escolas e universidades, devem, por intermédio de palestras e rodas de conversa, despertar a empatia nas pessoas, para que a negligência para com o próximo não se torne algo banal. Assim, os vários Coringas da vida real poderão sair dessa situação de sofrimento.