Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 08/09/2020
A obra literária “O Alienista” do escritor Machado de Assis conta a história do Dr. Simão Bacamartes, psiquiatra que abriu uma clínica para estudar doenças mentais e doenças mentais. Desta forma, o Simão passou a acolher algumas pessoas da cidade, primeiro gente com desvios, depois gente sã, e por último, percebeu que os desvios estavam nele e acabou por se auto internar. Semelhante ao trabalho, a saúde mental contemporânea ainda é ignorada e a cultura do autocuidado é ignorada. Isso se deve principalmente à demanda excessiva de produtividade por parte dos indivíduos e da sociedade e ao abandono da família e da escola.
Sob esse preconceito, é legal supor que as cobranças excessivas sejam o motor dessa frustração. Nesse sentido, segundo o filósofo alemão Arthur Schopenhauer: “O maior erro que uma pessoa pode cometer é sacrificar sua saúde por qualquer outro benefício”. A partir dessa perspectiva, muitas pessoas aumentaram sua sobrecarga porque valorizam a produtividade e a renda. No entanto, acabaram se esquecendo da importância do autocuidado e sacrificando sua saúde. Como resultado, são criados defeitos na cultura do autocuidado e as dificuldades em lidar com as frustrações levam a doenças mentais como depressão, ansiedade e até suicídio.
Alem disso, é importante pontuar a falta de problematização da família e escola como agravante da problemática supracitada. Por esse ângulo, o âmbito familiar e escolar, muitas vezes, é omisso quanto as dores psíquicas dos jovens, uma vez que expressões de ideais baseados em conceitos mal formulados ou não esclarecidos dificultam a problematização. Assim, de acordo com o escritor do Império Romano Séneca: “O que pensas de ti próprio é muito mais importante do que os outros pensam de ti”. Nesse espectro, é fundamental o autoconhecimento para conseguir enfrentar esses obstáculos e consequentemente os ambientes de vivência serão impulsionados a mudar de perspectiva.
Portanto, são necessárias medidas que promovam a importância do autocuidado e dos problemas de saúde mental. Com isso, sugere-se que o Governo Federal, na forma do Ministério da Saúde, em conjunto com o Ministério da Educação, conduza a conscientização nas escolas por meio de debates e palestras que visem reformular concepções equivocadas sobre saúde mental, além de comprovar a importância do psicólogo no combate às mudanças de mentalidade e comportamento, buscando controle sobre a autocumulação e motivação para uma cultura terapêutica a fim de reduzir a pressão psicológica e garantir o autocuidado genuíno. Dessa forma, espera-se que os indivíduos não sejam descuidados como o Dr. Simão da obra de Machado, mas, ao contrário, que possam realmente ter a saúde mental como prioridade.