Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 17/09/2020

A obra literária “O Alienista”, do escritor Machado de Assis, narra a história do Dr. Simão Bacamartes, um psiquiatra que abriu uma clínica para estudar a loucura e doenças da mente. Com isso, Simão começa a internar várias pessoas da cidade, no começo, eram pessoas com desvios, mas depois, pessoas sãs. Por fim, ele percebe que o desvio estava nele e acaba se internando. De maneira análoga à obra, a saúde mental contemporânea ainda é descuidada e a cultura do autocuidado é desprezada. Isso se deve, majoritariamente, pela cobrança excessiva por produtividade, tanto do próprio indivíduo quanto da sociedade e o pelo negligenciamento da família e escola.

Em primeiro plano, urge analisar a cobrança excessiva como impulsionadora desse revés. Segundo o filósofo Arthur Schopenhauer: “O maior erro que um homem pode cometer é sacrificar a sua saúde a qualquer outra vantagem”. Nessa perspectiva, muitas pessoas realizam uma autocobrança muito intensa, visto que prezam pela produtividade e rendimento. No entanto, acabam se esquecendo da importância do autocuidado e sacrificam sua saúde. Logo, um déficit na cultura do autocuidado é gerado e a dificuldade de lidar com as frustrações resulta em doenças mentais como depressão, ansiedade e até mesmo suicídio.

Em segundo lugar, torna - se míster destacar que as crianças estão sendo expostas a telas muito cedo. O médico neurologista Sigmund Freud, escritor do livro “O Ego e o Id”, explica que as experiências vividas na infância influenciam o comportamento da pessoa em toda a vida. Assim, a criança se tornará cada vez mais individualista e por fim um adulto antissocial que não sabe lidar com suas emoções. O fato de não conseguir se abrir com os outros, o que causa um grande estresse mental, pode levar o indivíduo a problemas mais sérios. Dessa forma, a saúde mental é colocada em segundo plano e pode, de forma infeliz, trazer prejuízos irreparáveis.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o empecilho. Para isso, o Governo Federal, na figura do Ministério da Saúde, juntamente com o Ministério da Educação, deve realizar uma conscientização nas escolas, por meio de debates e palestras que visam reformular conceitos equivocados acerca da saúde mental, além de evidenciar a importância dos psicólogos no combate a mudanças de mentalidade e comportamento, buscando o controle sobre a autocobrança e o incentivo pela cultura das terapias, a fim de diminuir a pressão psicológica. Dessa forma, espera-se que seja proporcionado o verdadeiro autocuidado.