Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 12/09/2020
É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito do descuido de muitos brasileiros com a qualidade da sua saúde mental. Acerca de tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra drummondiana, à crescente repercussão e manifestação da problemática no cotidiano social do país. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente às vicissitudes da vida moderna, mas também à baixa prioridade atribuída ao desenvolvimento de uma educação emocional.
De início, irrompida em meados do século XX, a Terceira Revolução Industrial trouxe para a humanidade inúmeros avanços. Em conjunto com as inovações tecnológicas, as transformações das relações sociais se configuraram como elementos característicos dos novos tempos, os tempos líquidos, termo proposto por Zygmunt Bauman, que designa o atual estágio da sociedade contemporânea. Tais aspectos, todavia, têm proporcionado um agravamento das psicopatologias, a exemplo, o Brasil, no ano de 2015, passou a carregar o título de país mais deprimido da América Latina, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Posto isso, medidas devem ser adotadas com o intuito de reverter essa realidade.
Outrossim, a falta de incentivo à adoção de práticas voltadas ao desenvolvimento das inteligências múltiplas na criança contribui para a acentuação da problemática. Ocupando a sétima posição no ranking de economia mundial, consoante à pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI), seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema de educação pública eficiente. A realidade, entretanto, é justamente o oposto e o resultado desse contraste é observado nas mais variadas adversidades perpetradas e difundias na sociedade. Nesse aspecto, questões como a depressão e a ansiedade, que poderiam ser amenizadas mediante um amplo desenvolvimento psicossocial da criança, ilustram o triste cenário da educação no país. Dessa forma, verifica-se a necessidade de uma reforma educacional, a fim de que essas consequências sejam atenuadas.
Logo, para que o triunfo sobre a precariedade da saúde mental do brasileiro seja consumado, urge que o Ministério da Educação, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promova a inserção de disciplinas na grade escolar relacionadas ao desenvolvimento emocional, de modo a garantir uma ampla formação e minimizar, consequentemente, as psicopatologias. Ademais, essa ação deverá ser acompanhada pela introdução de psicólogos ao corpo escolar, com fito de facilitar a comunicação professor-aluno. Ainda assim, recursos deverão ser aplicados em ouvidorias e serviços sociais, com objetivo de atender e ajudar essas pessoas. Dessarte, a pedra poderá ser removida do caminho social.