Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 11/09/2020
É fato que saúde mental é um tema com grande repercussão atualmente, bem como as diversas maneiras para ter um aumento na qualidade de vida. Tais medidas consistem na melhora da alimentação, da qualidade cognitiva e emocional dos indivíduos, juntamente com a prática de exercícios físicos. Nesse contexto, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), o Brasil é considerado o país com mais pessoas ansiosas do mundo e o quinto com mais casos de depressão. Sendo assim, observa-se a negligência por parte do próprio brasileiro no quesito saúde mental, bem como a ineficiência dos sistemas de saúde.
Em primeiro plano, verifica-se o estereótipo do povo brasileiro, conhecido por sua imagem de felicidade e alegria. Contudo, tal fato corrobora para a formação de uma visão utópica da população, visto que as relações entre os indivíduos estão cada vez mais superficiais. Essa situação é retratada pelo sociólogo Zygmunt Bauman, em sua teoria da modernidade líquida, a qual afirma que as pessoas estão gradativamente mais distantes umas das outras. Além disso, a realidade do Brasil, consoante à OMS, é de que 18,6 milhões de brasileiros possuem transtorno de ansiedade, o que contradiz a preconcepção da população do país. Em suma, tal dado comprova a afirmação feita por Bauman, que a superficialidade das relações trás prejuízos à saúde da população, a exemplo da ansiedade.
Outrossim, em conformidade com a Constituição federal, todo brasileiro possui direito a um sistema de saúde, bem como a um tratamento adequado. Entretanto, em um episódio ocorrido no estado de Minas Gerais, no Hospital Colônia de Barbacena, pessoas homossexuais, com problemas psiquiátricos, negros, entre outros eram internados, passando por situações como tortura, fome e doenças. Contemporaneamente, com dados da Abre (Associação brasileira de familiares, amigos e portadores de esquizofrenia), o Brasil possui unidades especializadas em saúde mental em apenas 11 estados. Essa realidade comprova a incapacidade dos hospitais, desde a época de hospital de Barbacena, de tratarem os transtornos cognitivos como um real problema, que precisa de tratamento adequado.
A fim de resolver essa problemática, é mister que o Estado, juntamente com o Ministério da saúde, por meio de verbas destinadas à área, crie mais unidades especializadas em saúde mental com o propósito de que os indivíduos tenham uma saúde de qualidade, como consta na Constituição. Tais unidades devem estar distribuídas igualmente pelo país, assim como necessitam possuir profissionais qualificados. Ademais, instituições públicas e privadas devem incentivar o convívio social com o intuito de que a teoria proposta por Bauman vire abstrata. Dessa forma, a qualidade de vida dos brasileiros irá prosperar, juntamente com a sua saúde.