Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 11/09/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a saúde mental dos brasileiros apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do estresse do dia a dia, quanto do descaso com o bem estar psicológico. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade. Nesse sentido, diante de uma realidade instável e temerária que mescla conflitos nas esferas psicológica e social, analisar seriamente as raízes e os frutos dessa problemática é medida que se faz imediata.       Precipuamente, é fulcral pontuar que o estresse do dia a dia presente na vida dos brasileiros deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, o estado de exaustão, vivenciado diariamente pela nação, pode resultar em consequências irreversíveis. O estresse, pode prejudicar gravemente a saúde, causando irritabilidade, gastrite, oscilação da pressão arterial, ansiedade e depressão. Nos casos mais graves, o indivíduo pode ter um infarto e até desenvolver um câncer. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar o descaso com o bem estar psicológico como promotor do problema. De acordo com o site “Scientific American”, a assistência à saúde mental é uma das maiores necessidades não atendidas. Partindo desse pressuposto, fica evidente que os transtornos mentais são tratáveis e respondem favoravelmente aos tratamentos, como tantas outras doenças. O empecilho da doença mental é o preconceito, que acaba dificultando a busca de ajuda e até mesmo atrapalhando quem quer ajudar. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o desprezo com a saúde mental contribui para a perpetuação desse quadro deletério. Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira.

Dessarte, com o intuito de mitigar o empecilho, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio de psicólogos e psiquiatras, será revertido em auxílio psicológico gratuito através de consultas por telefone, online e presenciais. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do óbice e a coletividade alcançará a “Utopia” de More.