Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 11/09/2020
A obra literária de Machado de Assis, “O Alienista”, narra a história de um psiquiatra que abriu uma clínica para estudar a loucura e doenças da mente. Com isso, ele começa a internar várias pessoas da cidade, no começo pessoas com desvios, mas depois pessoas sãs e por fim, ele percebe que o desvio estava nele e acaba se internando. De maneira similar à obra, a saúde mental contemporânea ainda é negligenciada e a cultura do autocuidado é desprezada. Isso se deve, principalmente, pela cobrança excessiva por produtividade, tanto do próprio indivíduo quanto da sociedade e o pelo negligenciamento da família e escola.
Primeiramente, é válido postular a cobrança excessiva como impulsionadora desse revés. Nesse sentido, segundo o filósofo Arthur Schopenhauer: “O maior erro que um homem pode cometer é sacrificar a sua saúde a qualquer outra vantagem”. Nessa perspectiva, muitas pessoas realizam uma autocobrança exacerbada, visto que prezam pela produtividade e rendimento. Porém, acabam se esquecendo da importância do autocuidado e sacrificam sua saúde. Logo, um déficit na cultura do autocuidado é gerado e a dificuldade de lidar com as frustrações resulta em doenças mentais como depressão, ansiedade e até mesmo suicídio.
Outrossim, é imperativo pontuar a falta de problematização da família e escola como agravante da problemática supracitada. Por esse ângulo, o âmbito familiar e escolar, muitas vezes, é omisso quanto as dores psíquicas dos jovens, uma vez que expressões de ideais baseados em conceitos mal formulados ou não esclarecidos dificultam a problematização. Com isso, de acordo com o escritor Séneca: “O que pensas de ti próprio é muito mais importante do que os outros pensam de ti”. Nesse sentido, é fundamental o autoconhecimento para conseguir enfrentar esses obstáculos e consequentemente os ambientes de vivência serão impulsionados a mudar de perspectiva.
Portanto, medidas são necessárias para fomentar a relevância do autocuidado e problematização acerca da saúde mental. Assim, sugere-se que o Governo Federal, na figura do Ministério da Saúde, juntamente com o Ministério da Educação, realize uma conscientização nas escolas, por meio de debates e palestras que visam reformular conceitos equivocados acerca da saúde mental, além de mostrar a importância dos psicólogos no combate a mudanças de mentalidade e comportamento, buscando o controle sobre a autocobrança e o incentivo pela cultura das terapias, a fim de diminuir a pressão psicológica e proporcionar o verdadeiro autocuidado. Dessa forma, espera-se que os indivíduos não se descuidem assim como o psiquiatra da obra machadiana, pelo contrário, que eles possam de fato ter a saúde mental como primórdio.