Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 11/09/2020
Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à vida, à saúde e ao bem-estar social. Conquanto, o adoecimento mental global impossibilita que parcela da população desfrute desse direito universal na prática. Nessa perspectiva, é possível observar que problemas relacionados à saúde mental estão cada vez mais frequentes e geram distúrbios que podem acarretar em suicídios, além de transtornos que atuam na intensificação dessas perturbações, por vezes ignoradas pela sociedade.
Em primeiro plano, deve-se notar que temas acerca do adoecimento mental estão ganhando espaço em ambientes de grande exposição, onde outrora eram negligenciados. A título de exemplo, a série americana “13 Reasons Why”, coletânea famosa produzida pela Netflix, retrata a história de Hannah Backer, uma adolescente que vivencia o bullying, a violência sexual, a decepção amorosa, entre outros, e acaba desenvolvendo depressão. Analogamente, muitas pessoas enfrentam esses problemas no século XXI e, na maioria das vezes, o sofrimento psíquico não é notado, o que pode ocasionar automutilação e até suicídio, como ocorreu com Hannah. Nesse contexto, como defende o filósofo Sartre, a violência, independentemente da maneira que se manifesta, é sempre uma derrota, e, nesse caso, uma derrota de toda a humanidade.
Outrossim, faz-se mister salientar outra condição com presença constante em muitos indivíduos: o transtorno de ansiedade. Indubitavelmente, a pressão de ser notado, bem sucedido e seguir padrões estéticos são os principais fatores para o aumento desse transtorno nas últimas décadas. Diante de tal realidade e, também, da pouca preocupação na busca para cuidar da mente, foi decretada no início de 2019 a Lei 13.819 que institui a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio. Tal lei é uma estratégia para prevenção desses eventos e para o tratamento de seus condicionantes e deve ser apoiada na medida de fazê-la atingir todos aqueles que sofrem de alguma disfunção mental.
Por conseguinte, medidas são necessárias para frear o problema e garantir a aplicação da lei e dos direitos comuns de todo cidadão. Assim, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério das Comunicações, desenvolva um aplicativo de interação entre os indivíduos com adoecimento mental e profissionais da área, a fim de influenciar a busca de tratamento e reduzir o número de suicídios e automutilações. Ademais, o Ministério da Educação deve promover, nas escolas, campanhas de sensibilização e prevenção com o objetivo de minimizar os fatores que estimulam o surgimento e o fortalecimento de distúrbios psíquicos. Dessa forma, poder-se-á alcançar uma comunidade sã mentalmente, que contribuirá para o progresso e para o bem-estar social.