Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 11/09/2020
Nova educação para novo enfrentamento da dinâmica social atual
Desde o início do avanço abrupto da globalização, bem como o advento da popularização de ferramentas tecnológicas, foi possível observar um fenômeno de escala global, na chamada pós-modernidade. Tal fenômeno é caracterizado pela substituição da identidade pessoal pela produtividade, em busca de reconhecimento coletivo, o que corrobora com prejuízos à saúde mental dos indivíduos com significativa magnitude. Essa consequência representa um grave risco à saúde geral da população, equiparável a uma doença pandêmica. Entretanto, seu tratamento é lesado devido à falta da cultura de autocuidado, sobretudo, dos brasileiros.
A inexistência da referida cultura condiciona o ser humano a dependência, uma vez levado em conta o estudo filosófico e histórico do professor e psicólogo parisiense Michel Foucalt. O francês afirma que o processo de cuidado de si mesmo representa um sinal de liberdade, porquanto a existência humana gera autoconsciência e responsabilidade. Em outras palavras, cair em subordinação ao conhecimento de si é fundamental à vida, bem como ao equilíbrio do homem sob a condição de pós-modernidade.
Apesar de estudos e campanhas empenhadas na divulgação da prevenção de doenças mentais, causadas majoritariamente pela dinâmica de vivência e relações sociais, a ansiedade é popularmente considerada o “mal do século XXI”. De acordo com a revista Veja, entre janeiro e setembro de 2018, o INSS concedeu 12% mais licenças para tratamento mental que em 2017. Tais dados explicitam a crescente primordialidade da relevância à pauta de saúde mental e tratamento de doenças psicológicas. Há uma progressiva mudança nos modos de vida da população, que relativiza o tempo e impossibilita o indivíduo a diligenciar-se contra suas dificuldades.
Destarte, é mister que o Ministério da Educação promova, por meio do poder executivo incumbido ao mesmo, reformas no ensino básico, de forma que tornem acessíveis profissionais capazes de desmitificar pensamentos que relacionam a problemática a uma questão superficial. A partir da compreensão da significância do tema para a sociedade, se tornará possível a estruturação cultural de preparo ao enfrentamento de problemas à saúde mental, bem como a formação de cidadãos brasileiros que tomem atitudes prudentes perante a situação, sem adotar posturas negligente, como as que são tomada hodiernamente. Deste modo, será possível contornar as adversidades oriundas da condição pós-moderna, que por consequência, prejudica o autocuidado essencial ao homem, para que se torne um cidadão livre e saudável.