Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 11/09/2020
“Grandes coisas não se fazem por impulso, mas pela junção de uma série de pequenas coisas”. Essas foram as palavras do artista pós-impressionista Vincent van Gogh, diagnosticado com depressão e que admitiu tirar a própria vida, visto que passou ela inteira reprimido. A frase tematiza um contexto cada vez mais recorrente da sociedade atual: a saúde mental. Fatores como a desvalorização do autocuidado e a negligência na abordagem desse assunto contribuíram para o crescimento de doenças como a depressão. Assim sendo, mostra-se necessário analisar esse cenário e, a partir disso, promover possíveis soluções para tais impasses.
Em primeira análise, o cuidado com a saúde mental ainda é tratado com indiferença. De acordo com a historiografia brasileira, é possível observar que patologias psicológicas eram associadas às forças do mal, devido influências católicas. Nos dias atuais, essa depreciação persiste, de modo que o assunto continua a ser impassível em diversos núcleos familiares conservadores. Por exemplo, o livro Extraordinário retrata a história de Auggie Pullman, um garoto que é vítima de preconceitos devido a sua deformidade no rosto. Como resultado, sente-se excluído socialmente e começa a desejar a morte para não precisar de frequentar a escola. Logo, nota-se que, ao invés de dar abertura à cultura do autocuidado e aceitação, é semeada uma intolerância para com a saúde mental.
Ademais, a contemporaneidade é marcada por uma exigência nociva à perfeição. Segundo o filósofo sul-coreano Byung-chul Han, o desenvolvimento industrial do capitalismo, culminou o estabelecimento de um padrão que só pode ser alcançado ao obter-se altos desempenhos em todas as áreas da vida. Entretanto, esse processo fomenta uma série de sentimentos ligados à frustração, já que a plenitude desejada é impossível de ser alçada. Como produto dessa imposição, a população é acometida por diversas doenças psicológicas, sejam ligadas à punição do corpo, tal como a bulimia, ou ao cansaço mental, como a depressão. Estima-se que, em todo o mundo, mais de 300 milhões de pessoas sofram com este transtorno, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Torna-se evidente, portanto, que a saúde mental precisa ser mais bem preservada. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, promover palestras educativas em escolas e universidades, a fim de desconstruir preconceitos relacionados a doenças psicológicas e promover o autocuidado. Além do mais, é necessário que as Secretarias de Saúde disponibilizem profissionais da área nos postos de atendimento público. Assim, diminuir os prejuízos causados pelo estresse mental sob as exigências da sociedade. Dessa maneira, será possível realizar grandes coisas, bem como disse Van Gogh, em prol da preservação da saúde mental da população.