Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 14/09/2020
No contexto da segunda geração do movimento artístico conhecido como Romantismo, tornou-se temática principal o pessimismo em relação à vida, devido à doenças contemporâneos. Embora por motivos diferentes, a típica tristeza e a “depressão” retratadas nessas obras são comuns nos dias atuais, responsável por perda da qualidade de vida do indivíduo e de seus companheiros. Dessa forma, torna-se necessário o debate acerca dos cuidados com a saúde mental, gerada pela rápida e desordenada globalização, e negligenciada de forma crônica na sociedade hodierna.
Cabe ressaltar, em primeira análise, o impacto das transformações recentes que o mundo sofreu no que tange o psicológico da população geral. Nesse sentido, percebe-se que a dinamização das relações humanas, pessoais e profissionais, fenômeno conhecido como globalização, exigiu dos indivíduos adaptações e rotinas que, em muitos casos, superam àquelas saudáveis e aceitáveis. Ao adotar-se, sob tal fato, a perspectiva do sociólogo Zygmunt Bauman relacionada à solidez dos relacionamentos, chamada de Modernidade Líquida, na qual explicita a volatilidade na construção dos laços humanos, entende-se a problemática. Então, o ser humano é, muitas vezes, incapaz de aceitar a velocidade das transformações socioafetivas, característico da contemporaneidade , o que explica as alterações químicas corporais, geradoras da depressão e doenças semelhantes.
Ademais, é de suma importância analisar o negacionismo que ronda a temática. Sobre esse aspecto, no filme “Joker”, de 2019, que narra a história do psicopata dos quadrinhos “Coringa”, o personagem discorre sobre o maior problema, em sua visão, relacionado àqueles que possuem doenças mentais: a necessidade de que eles ajam de forma como se não as possuíssem. Percebe-se que a banalização dos males psicológicos é um fator causal ao agravamento da situação, além de propiciar a endemização de tais enfermidades. Além disso, nas redes sociais, a busca por auxiliar quem precisa de apoio, muitas vezes, sem apoio profissional devido, acaba por gerar o efeito inverso, aconselhando mal aqueles necessitados, que não buscam psicólogos ou terapeutas para tratar sua condição. Dessa forma, é indiscutível que a trivialização do autocuidado mental é danoso à sociedade.
Destarte, devido ao supracitado, tornam-se necessárias mudanças para tornar mais em voga o cuidado com a saúde psicológica. Cabe ao Ministério da Saúde, por meio de incentivos à escolas e propagandas midiáticas, de ampla divulgação, principalmente na parcela jovem da sociedade, promover encontros e conversas com psicólogos e profissionais da área, que objetivem divulgar a necessidade de buscar tratamento e se conscientizar acerca dos problemas relacionados aos males mentais. Assim, será possível tornar o Brasil um país mais saudável para todos.