Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 29/09/2020
“Nos deram espelhos e vimos um mundo doente”, este é um trecho da canção Índios da banda nacional Legião Urbana, a qual pode-se entender como uma analogia acerca da saúde mental da sociedade contemporânea, em que, de maneira reflexiva, demonstra a má qualidade psíquica geral. De fato, a letra faz sentido, pois é notório que a sociedade pós-moderna brasileira se encontra em estado de enfermidade mental, influenciada pela falta de mobilização governamental que permitiu o agravamento nos casos de depressão e transtornos de ansiedade. Sendo assim, é convencional analisar as causas, consequências e soluçôes para o problema da saúde mental e do declínio da cultura do autocuidado.
A priori, é evidente que o Poder Público falha ao cumprir seu papel de agente fornecedor de direitos mínimos, o que contribui para o aumento dos casos de distúrbios psíquicos. No entanto, de acordo com a Constituição Federal, promulgada em 1988, é direito de todo cidadão o acesso à habitação, educação e saúde. Tal fato demonstra-se como uma grande incoerência, já que a questão da saúde não é incentivada a todos quando se diz respeito ao tratamento mental. Logo, é preciso de uma intervenção para que a inaceitável situação seja modificada com o fito de alcançar a isonomia esperada pela sociedade.
Em segunda análise, a cultura do autocuidado é ocasionalmente deixada como uma questão esquecida em meio a família tradicional brasileira, pois ainda é um ponto delicado a ser tratado intimamente, já que, até há poucos anos, as pessoas com transtornos alimentares, depressão ou com outras doenças que envolvessem a área mental eram tratadas como alucinadas, deixando-as muitas vezes receosas de ir atrás de ajuda e cuidado para si próprios. De acordo com o médico neurologista Sigmund Freud, as experiências vividas desde a infância refletem na formação do comportamento do cidadão durante toda a vida. Contudo, se não há influência e incentivo ao autocuidado nos parâmetros familiares, a objeção disso reflete ao passar dos anos.
Torna-se evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas para que o problema seja solucionado. Com isso, o Ministério de Saúde, como medida paliativa, deve, por meio de palestras e folders publicitários, incentivar a procura por profissionais neurológicos e investir na propagação do tema em questão. Ademais, a Educação deve incentivar, nas instituições de ensino desde a infância, a importância do falar e da cultura do autocuidado. Nesse sentido, o intuito das iniciativas é ajudar a identificar os sintomas das enfermidades mentais e solucioná-las. Somente assim, com espelhos, veremos um mundo gradativamente curado de suas feridas, diferente do trecho abordado na canção.