Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 17/09/2020

‘‘No meio do caminho havia uma pedra, havia uma pedra no meio do caminho.’’, o trecho do poeta Carlos Drummond de Andrade demonstra os obstáculos a serem superados para a ressalta da importância da saúde mental e do autocuidado. Obstáculos estes como o preconceito, a ausência da vaidade e do amor próprio, acarretam em graves consequências omitidas na sociedade, como a ausência do eudemonismo, termo da filosofia aristotélica para a busca pela felicidade, além de patologias psiquiátricas.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, cerca de 5,8% da população brasileira possuem quadros de depressão. Tal patologia é responsável pelo maior número de suicídios no país segundo a Associação Brasileira de psiquiatria, causada pela queda das moléculas neurotransmissoras como a serotonina. A depressão, assim como outras doenças relacionadas ao transtorno mental, podem ser tratadas com o autocuidado, tais como a realização de atividades físicas, alimentação adequada, contato físico, terapia e se necessário a utilização de fármacos.

A sociedade em crise, tanto igualitária quanto econômica, forçam o indivíduo a lidar com situações divergentes em sua trajetória, tais como o trabalho excessivo, ausência do ócio e o sentimento de injustiça com relação a sociedade. O mesmo precisa estar em harmonia com suas decisões para reagir positivamente, o que não ocorre quando a saúde mental encontra-se em inconformidade, atuando como inibidor da autocompaixão, dificultando a autoaceitação e corroborando para a redução do autocuidado.

Portanto, cabe ao indivíduo, praticar a autoaceitação, abdicar o preconceito da sociedade com doenças psiquiátricas, frequentando a terapia regularmente, fazendo do autocuidado uma rotina juntamente com seus familiares e amigos, a fim de responder positivamente aos estímulos exteriores, esculpindo a pedra vista anteriormente como obstáculo, tornando-a uma bela escultura.