Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 21/09/2020

O autocuidado, segundo Dorothea Elizabeth Orem, é definido como ações desenvolvidas em situações concretas da vida em que o indivíduo dirige para si atividades em benefício ao seu contínuo desenvolvimento pessoal, mantendo a vida, a saúde e o bem-estar. A realidade pós-moderna transformou a carreira profissional na maior preocupação da vida das pessoas. A pressão social atrelada a ausência de autoconsciência e responsabilidade sobre si  tem acarretado em uma população cada vez mais ansiosa e depressiva, além de comportamentos e hábitos de vida disfuncionais. Dessa forma, é imprescindível remediar tal problemática.

A medida que a sociedade cresce não sobra espaço para dúvidas, fraquezas e anseios para alcançar o sucesso pessoal. A pressa em conseguir tudo aos vinte e poucos anos exige um preço alto. Em geral, decorre de inúmeras renúncias e privações que podem manifestar-se sob a forma de um quadro depressivo ou ansioso. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 9,3% dos brasileiros tem algum transtorno de ansiedade e 5,8% da população tem depressão. Consequentemente, o indivíduo pode ficar incapaz de suprir suas necessidades básicas, levando ao desiquilíbrio emocional, baixa autoestima, baixo rendimento e por fim pensamentos suicidas e autoflagelação.

Ademais, o autocuidado é uma forma de fortalecer mente e corpo. Costuma-se esquecer que cuidar de si é fundamental para se viver com qualidade e saúde. É necessário identificar hábitos de vida pouco saudáveis como tabagismo, uso de álcool, privação de sono, uso excessivo de tecnologias, isolamento social e entre outros. De acordo com o  Instituto Nacional do Câncer (INCA),  fumantes têm cerca de 20 a 30 vezes mais risco de desenvolver câncer de pulmão do que os não-fumantes. Em virtude disso, observar os comportamentos prejudiciais ao individuo e estabelecer hábitos saudáveis tem como benefícios o aumento da autoestima, da produtividade e melhora nos relacionamentos interpessoais impactando diretamente na preservação da vida.

Portanto, é necessário discutir tais problemáticas. Sendo assim, o Ministério da Saúde deve elaborar, por meio de políticas públicas, a realização de ações de acolhimento, humanização e tratamento, com enfoque na saúde mental, para pessoas com sinais e sintomas de transtornos psicossociais, além do incentivo às práticas integrativas e complementares de saúde, nas unidades básicas, oferecendo terapias alternativas como a fitoterapia, acupuntura e homeopatia a quem busca mecanismos naturais de prevenção de doenças e recuperação da saúde. Assim, a prevenção e o cuidado é o melhor caminho.