Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 27/09/2020
O filme “As Vantagens de Ser Invisível” (2012) retrata a história de Patrick, um garoto de 15 anos que tenta se recuperar após a morte do seu melhor amigo e da sua tia, ambos por suicídio. Nesse contexto ele tenta se manter firme e encontra dois amigos que lhe ajudam a viver boas experiências, mas depois seus traumas do passado acabam o afetando e aumentando sua depressão. Fora da ficção, realidades como a de Patrick são cada vez mais comuns, visto que a saúde mental da população se encontra cada vez mais fragilizada, seja pelo estresse da rotina, seja por traumas vividos no passado. Ora, priorizar a saúde mental é crucial para uma sociedade mais saudável.
Em primeira análise, é valido destacar a rotina estressante como principal catalisador desse problema. Nesse sentido, seja no trabalho ou nos estudos, a cobrança chega a ser extrema para atingir metas e objetivos, e isso gera sobrecarga. Segundo Platão, o importante não é viver, mas viver bem, isto é, Platão priorizava a qualidade de vida, diferente do atual cenário social, em que a população antepõe outras atividades e não cuida da saúde mental. O que ratifica isso é a reportagem da revista Veja em que apresenta 86% dos brasileiros com algum transtorno mental, como ansiedade e depressão. Desse modo, com rotinas exaustivas e sem tempo para cuidar de si, o quadro de pessoas ansiosas, depressivas e até mesmo com síndrome de Burnout se eleva.
Outrossim, tem-se como fator contribuinte os abalos vividos no passado. Com isso, a série americana “13 Reasons Why” narra a história de Hannah Backer, uma jovem que cometeu suicídio, mas antes disso gravou várias fitas expondo os motivos que a levaram a fazer aquilo, incluindo abuso sexual e psicológicos. Fora das telinhas, casos assim ocorrem cotidianamente, e as pessoas convivem com um trauma que os acompanham durante a sua vida, sem buscar a ajuda necessária, ora por vergonha de expor o ocorrido, ora por não ter com quem contar. Logo, sem o apoio necessário, casos como o de Hannah vão continuar se sobressaindo.
Depreende-se, portanto, que a saúde mental da população está em colapso e urge ser atenuada. Para tanto, é necessário que o Ministério da Saúde, ajude a reinventar o cenário nos ambientes de trabalho e estabelecimentos de ensino, por meio de palestras que falem sobre a valorização da saúde mental, explicando sobre isso e sugerindo a mudança da rotina, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e até mesmo evitar a síndrome de Burnout na coletividade. Ademais, cabe a mídia, maior influenciador de opinião pública, incentivar a população a cuidar da saúde mental, por meio de propagandas televisivas que exponham essa problemática e divulguem do número do CVV (188), com o fito de oferecer um maior suporte a população e evitar casos como o de Patrick.