Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 28/09/2020
Segundo o filósofo grego Platão, “A qualidade de vida é tão importante que supera a própria existência”. Entretanto, ao analisar-se o cenário brasileiro, pode-se perceber que o pensamento do filósofo não é efetivado, porquanto uma grande parcela da população tem sofrido com problemas de saúde mental, como a depressão. Esse triste e assustador problema é grave, pois é decorrente da ineficácia estatal, aliada à exploração dos trabalhadores brasileiros.
A priori, é importante destacar que a absurda inércia governamental para ampliar os programas de assistência psicológica a população é um agravante para o problema. Consoante a isso, o filósofo contratualista John Lock afirmava que é dever do Estado garantir o bem-estar de toda a sua população. Sob essa óptica, é possível compreender que, sem ações práticas do governo federal para prestar auxílio mental ao seus indivíduos, o bem-estar da população é prejudicado, o que contribui para a não efetivação do pensamento de Platão.
Outrossim, a estarrecedora exploração dos trabalhadores é outro determinante para a problemática, visto que, em condições degradantes de trabalho, os indivíduos adquirem a síndrome de Burnout, caracterizada pelo esgotamento físico e mental dos trabalhadores. Tal afirmação pode ser evidenciada pelos dados divulgados, em 2017, pelo jornal Globo, os quais mostram que 30% dos trabalhadores brasileiros possuem a síndrome de Burnout. Assim, pode-se compreender que a exploração trabalhista é outro fator contribuinte para a degradação da saúde mental e, consequentemente, da qualidade de vida.
Diante do exposto, o governo federal deve investir para garantir a saúde mental de sua população, por meio da ampliação de programas de atendimento psicológico, como o Centro de Valorização à Vida (CVV), responsável por prestar apoio emocional e mental aos indivíduos, com o fito de garantir o bem-estar de toda a sociedade. Além disso, deve, por meio do Ministério do Trabalho, responsável pela regulação das questões trabalhistas no país, aumentar as fiscalizações nos ambientes de trabalho, realizando mais concursos e contratando mais agentes de fiscalização, por exemplo, de modo a coibir a exploração trabalhista e efetivar o pensamento de Platão.