Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 29/09/2020
Promulgada pela ONU - em 1948 - a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) garante a todos os indivíduos o direito à vida e ao bem-estar social. Conquanto, o distanciamento ao autocuidado e a não primazia da saúde mental impossibilitam que uma parcela da população desfrute desse direito universal na prática, tendo em vista a anomia e a desordem social, bem como a liquidez dos relacionamentos sociais hodiernos. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade sustentável seja alcançada.
Em primeiro lugar - para entender a relevância dessa temática - é fundamental compreender o conceito de anomia e a relação com a cultura do autocuidado. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a anomia social é a ausência das normas em relação ao indivíduo, em que a volatilidade do mundo e o sentimento de distanciamento pessoal podem proporcionar enfermidades psicológicas, físicas e problemas sociais. Diante do exposto, é essencial analisar a anormalidade social e o descaso ao autocuidado, visto que esses efeitos corroboram para uma sociedade anômica, prejudicando os indivíduos com possíveis doenças - como depressão, ansiedade, suicídio e obesidade - e que acarreta
ao quadro de suicídio, além de aproximar o panorama atual em um desrespeito à DUDH.
Faz-se mister, ainda, salientar a liquidez contemporânea como impulsionadora e agravante ao problema. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais é característica da “modernidade líquida” vivida no século XXI, transformando o convívio social em situações voláteis, em que os indivíduos são mais ansiosos, abdicando a concepção de bem-estar social individual. Diante de tal contexto, a sociedade marcada por essa liquidez, tende a ser mais enferma e etérea, afetando em um aspecto social, as relações de autocuidado e o fortalecimento da saúde mental, haja vista que a ausência destas interligam-se com as mazelas de Durkheim.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esses estigmas. Desse modo, urge que o Ministério da Saúde, em junção com o Governo Federal, deve, por meio de verbas governamentais, estabelecer nas instituições escolares e em ambientes de trabalho, acompanhamento psicológico e profissionais da área para atuarem na construção e fortalecimento da cultura do autocuidado, auxiliando os indivíduos, a fim de solucionar o quadro em questão. Ademais, cabe também à mídia, como formadora de opinião, promover, por intermédio de propagandas e campanhas, a valorização à saúde mental e o incentivo às práticas de exercícios físicos, com o intuito de sanar esse panorama brasileiro. A partir dessas ações, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da negligência da saúde mental e do autocuidado, além de alcançar o estágio proposto pela DUDH.