Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 01/10/2020

Na contemporaneidade, os tempos de Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman estão se mostrando mais evidentes. Atualmente, as relações sociais modernas - líquidas - são ressignificadas constantemente e atribuídas ao egoísmo, a falta de empatia com o próximo dentro do corpo social; e a condições de existência atribuídas a comportamentos sociais medíocres (como arranjar emprego fúteis, consumir demasiadamente e atribuir o número de “likes” em redes de comunicação como uma noção de status social). Tudo isso mostra o quanto os tempos hodiernos estão afetando a sanidade mental das pessoas, relacionado a constante demonstração de vidas falsas e ao excesso de informação que afetam negativamente o indivíduo.

Em primeiro lugar, a vida diante das redes sociais apresentam distorções e falsidades em relação ao usuário. Isso acontece devido a grande exaltação falha de “vidas perfeitas” associadas a um utópico bem-estar social inexistente. Fenômeno esse muito semelhante ao livro Sociedade do Espetáculo de Guy Debord: que assemelha a condição de bem estar social, e a exaltação do consumo demasiado e de uma vida perfeita ilusória - ligada a um Fetichismo de Mercadoria. Sobretudo, o indivíduo que se depara com essa condição desenvolve distúrbios mentais relacionados a sua própria autoestima, o impactando negativamente em suas relações sociais.

Ademais, o excesso de informação e de consumo na sociedade pós-moderna reflete em uma ansiedade demasiada e distúrbios compulsórios no indivíduo. Por conseguinte, sua autonomia se torna alienante e moldada nas condições sociais existentes, que proporcionam uma onda de informações desnecessárias que o cérebro não é capaz de absorver - gerando estresse, frustrações e ansiedade. Portanto, a pessoa que está presente nesta situação, não consegue refletir sobre sua condição ativamente e se torna parte de um sistema capitalista perverso e desumano - afetando a conjuntura psicológica de uma massa de indivíduos.

Em suma, para que problemas como este não passem por processos de ressurgência, é preciso que o Setor Executivo, vinculado às redes de comunicação midiáticas (como televisão, plataformas de streaming e redes sociais) crie um sistema de auxílio e atendimento (mostrando os impactos negativos do excesso de informação, e o consumo demasiado das redes sociais a indivíduos com problemas psicológicos) por meio de influenciadores digitais e psicólogos exercentes na área; para assim, trazer um processo de desalienação e maior autonomia psicológica ao indivíduo em questão - desarticulando seus problemas mentais na sociedade pós-moderna.