Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 13/10/2020
Em 1946, a OMS definiu saúde como um estado de bem-estar –físico, mental, social- e não apenas como ausência de doença ou enfermidade. Entretanto, a saúde psíquica é banalizada pela sociedade, o que não condiz com a declaração mundial. Com efeito, a construção da cultura do autocuidado e a importância da saúde mental situam-se em um estado de emergência acarretado pela exigência excessiva de produtividade e a negligência por parte da família e escola.
Sob uma perspectiva primária, a cobrança desenfreada por eficiência inviabiliza o bem-estar para a manutenção de um bom psicológico. Nessa abordagem, o filósofo Byung- Chul Han, em sua obra “Sociedade do Cansaço” relata que, no século XXI, devido ao modo capitalista de produção, as pessoas são pressionadas para serem perfeitas. A esse respeito, a “sociedade do desempenho” permanece colaborando para “mediocrizaçao” da saúde mental, já que o capitalismo gera a competição no campo econômico e profissional, assim a carreira se tornou a maior preocupação dos indivíduos, está ainda traz o estresse, a ausência de vida social e a negação aos cuidados pessoais. Desta forma, essa determinação de ser perfeito- denunciada por Byung- Chul- afeta a contemporaneidade e deve ser repudiada pela sociedade. De outra margem, a falta de responsabilidade das famílias e escolas se mostra como um dos fatores que prejudicam a efetivação da cultura do autocuidado.
Nesse viés, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde, em 2013, estima-se que 14,1 milhões de pessoas tenham diagnóstico de transtornos ou sofrimentos mentais. Assim, o autocuidado- autoconhecimento, terapia, vida saudável- se encaixa nesses dados, na medida em que o colégio e seio familiar não debatem sobre esse assunto e não mostram a sua relevância; as crianças já chegam à fase adulta sem praticá-lo, assim, provocando o surgimento de doenças psicológicas. Desse modo, enquanto a educação escolar e a família omitir a importância do indivíduo se cuidar, a sociedade será determinada a viver com o principal impasse: aumento dos casos de doenças mentais.
É urgente, pois, que a saúde mental e o autocuidado sejam tratados com eficácia. Para isso, o Ministério da Saúde, com urgência, possibilita o acompanhamento dessa debilidade, por meio da criação da disciplina “Saúde Mental e autocuidado” que deve ser ministrada por psicólogos e possuir uma carga horária direcionada a reuniões sobre o assunto com os familiares, para que lhe seja garantido o desenvolvimento dos cuidados pessoais e emocionais de qualidade inquestionável. Dessa forma, a possibilidade de construir a cultura do autocuidado e fazer com que os resultados da PNS sejam positivos, aumenta com relevância, dirimindo esse grave problema que, muitas vezes, parece ser um transtorno social.