Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 14/10/2020
A Constituição Federal de 1988 assegura a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social no país. No entanto, na prática, essa visão é deturpada, visto que o estresse diário no mundo globalizado tende a piorar o panorama da sanidade mental no Brasil. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão do sentimento de impotência causada por estresses diários, mas também do tabu cultural acerca da discussão desse tema abertamente na sociedade brasileira.
A priori, é conspícuo analisar o estilo de vida contemporâneo como potencializador do problema. Evidencia-se o supracitado no pensamento do filósofo Zygmunt Bauman, que afirma que, o indivíduo vive numa sociedade de incertezas, a qual chamou de “Modernidade Líquida”. Esse pensamento realça a ausência de certezas que o ser humano tem sobre emprego, educação e ao bem-estar social. Dessa forma, com a insegurança sendo característica nata da sociedade, existe, então, um empecilho que possibilita o estorvamento dessa situação. Por conseguinte, devido ao sentimento de estar inseguro constantemente, existe o perigo de desenvolvimento de doenças mentais, tais como estresse e ansiedade.
Outrossim, cabe apontar que a ausência de debate acerca desse empecilho colabora para uma sociedade mais mentalmente doente. Tal pensamento se apresenta no livro “O Extraordinário”, que retrata August Pullman, uma criança que sofre de uma síndrome e tem que conviver com seus medos e preconceitos. Esse sentimento de insegurança na obra é reprimida por intermédio de conversas e diálogos a respeito de seus anseios. Destarte, a analogia apresentada na ficção pode ser vista hodiernamente: muitas pessoas sofrem com problemas que elas não se sentem bem em falar, já que há um tabu cultural no que concerne à doenças mentais. Sob essa óptica, acontece o contrário do que aconteceu com Pullman, elas têm de viver com essa repressão por muito tempo, o que agrava ainda mais o cenário.
Portanto, é fulcral abonar que medidas corretivas devem ser tomadas de imediato para que o panorama da saúde mental se resolva. Logo, urge que, o Ministério da Saúde, por meio de verbas estatais, destine fundos monetários para escolas, com o objetivo de contratar psicólogos que poderão realizar consultas e atendimentos de forma gratuita, tal medida irá amenizar alguns problemas psicológicos. Ademais, é papel da mídia, como propagadora da informação no país, criar campanhas publicitárias, como panfletos e propagandas, postadas em redes sociais, a fim de alertar os sintomas de uma doença mental e seus perigos, o que irá esclarecer todas as dúvidas. Assim, com efeito social, pode-se observar uma sociedade mentalmente saudável e livre de tabus preconceituosos.