Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 16/10/2020
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, defende que os indivíduos possuem direito ao bem estar social. No entanto, na atualidade observa-se justamente o contrário, quanto à questão da saúde mental, com a população enfrentando problemas de cunho psíquico, o que leva a casos de depressão e suicídio. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da lenta mudança na mentalidade social e no individualismo. Assim, hão de ser analisados tais fatores, a fim de que se possa liquidá-los de maneira eficaz.
Em primeiro lugar, é preciso atentar para a lenta mudança na mentalidade da sociedade em questão. Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther King de que “a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar” cabe perfeitamente. Desse modo, tem-se como consequência a generalização da injustiça e prevalência do sentimento de insegurança daqueles que têm algum sofrimento em sua saúde mental, como depressão e baixa auto estima. Consequentemente, sentem-se abandonados pelos demais e enfrentam situações de preconceito com o momento em que estão vivenciando, o que contribui para a piora dos casos.
Em segundo lugar, as causas dos problemas relacionados a saúde mental encontram terra fértil no individualismo. Na obra de Zygmunt Bauman, “Modernidade Líquida” ele defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há como consequência a falta de empatia, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si, e passar a ter atitudes de compaixão pelo próximo. Ademais, para alterar a situação, é crucial estimular o autocuidado, incluindo a prática de atividades físicas, meditação, busca pelo autoconhecimento e apoio da família e amigos, a fim de que tal liquidez que carrega os estigmas sociais, se transformem em construções coletivas para o bem estar físico e mental.
Logo, medidas devem ser tomadas para se alterar o cenário dos problemas relacionados à saúde mental e estimular o autocuidado. Para tal, os serviços de apoio psicossocial, como a Rede de Apoio Psicossocial (RAPS), pertencentes ao serviço público de saúde, devem realizar campanhas e palestras nas escolas e empresas, a fim de conscientizar a população sobre a definição de saúde mental e as principais doenças relacionadas, contando com a participação de profissionais da saúde e pessoas que já enfrentaram problemas como a depressão, de modo a facilitar a detecção precoce pelos familiares e possibilitar que o indivíduo receba ajuda em tempo hábil. Além disso, tais palestras podem ser webconferenciadas nas redes sociais do Ministério da Saúde, para ter um alcance maior. Assim, a saúde mental da população poderá ser melhorada e a prática do autocuidado virar rotina.