Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 25/10/2020
Na obra “Metamorfose”, de Franz Kafka, o protagonista se torna em uma criatura que se assemelha a um artrópode, porém, mesmo com este acontecimento inusitado, trabalhar e sustentar sua família ainda são suas preocupações. De forma análoga, o cidadão se encontra num estado de se importar com coisas externas, e, muitas vezes se esquece de cuidar de si mesmo, problema causado pela constante exigência de produtividade e negligência da sociedade. Assim, faz-se necessária uma intervenção com o objetivo de garantir os costumes do autocuidado à população.
Primeiramente, vale ressaltar como o modo de vida contemporâneo afeta a saúde mental do indivíduo. Segundo Max Weber, o capitalismo valoriza o trabalho duro, interpretação obtida por meio da visão protestante, que relaciona o esforço com louvor. Nesse contexto, essa responsabilidade se tornou norma na sociedade, o que impõe nele uma ideia de que o crescimento na sua dedicação é essencial para seu sucesso. Desse modo, é esquecida a importância de manter a própria saúde e bem-estar.
Ademais, a falta de relevância dada aos conflitos psicológicos pelo corpo social é um fator integral para a problemática. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, entre 10% a 20% dos jovens sofrem por transtornos mentais, porém, não são tratados corretamente. Com base nisso, para evitar esta dificuldade, formas de aumentar a resiliência do indivíduo são necessárias. Portanto, uma das soluções para a crise psíquica é a popularização de costumes que promovam o cuidado próprio.
Sendo assim, medidas para destacar a necessidade do autocuidado para a vida devem ser tomadas. À vista disso, o Ministério da Saúde deve, aliado ao Ministério da Educação, garantir projetos para promover o trabalho de terapeutas e psicólogos em escolas e ambientes de trabalho, podendo também distribuir atendimentos gratuitos por meio de profissionais voluntários, visando a aproximação do paciente aos métodos do autocuidado. Dessa forma, os humanos não se sentirão como insetos assim como na obra de Kafka.