Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 29/10/2020

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), “Saúde é o estado de completo bem-estar físico, mental e social, não somente a ausência de doença”. Entretanto, o conceito pleno de bem-estar dissertado pela OMS não vem se aplicando na realidade brasileira, tendo em vista a quantidade de pessoas sem saúde mental hodiernamente, de modo a provocar inúmeros efeitos negativos em seus cotidianos. Dessa maneira, torna-se premente analisar os principais obstáculos dessa problemática: o prejulgamento por parte da família e a rotina intensa do mundo contemporâneo.

Em primeira análise, é lícito postular que o preconceito acerca das doenças psicológicas por parte de familiares e conhecidos, acaba por dificultar a discussão e resolução do problema. Na Grécia - especificamente na cidade-estado Esparta - recém nascidos eram sacrificados em precipícios, caso nascessem com deficiência física ou intelectual, pois, acreditava-se que eles eram inválidos na sociedade. Nessa perspectiva, é possível observar que o prejulgamento vigente tem origens no antigo mundo grego, seja pela escassez informacional ou pela não discussão aberta a respeito das patologias intelectuais e suas consequências nocivas no longo prazo. Logo, é inaceitável a continuidade desse descaso por parte da parentela, tendo em vista o seu papel fundamental na recuperação do doente, fornecendo - ou  pelo menos, deveriam fornecer - total apoio psicológico e emocional nessa situação tão difícil.

Outrossim, em uma investigação mais aprofundada, deve ser considerada a relação entre a rotina intensa de um mundo globalizado e a aparição de distúrbios psicoemocionais. O conceito de “Sociedade do Cansaço”, do filósofo sul-coreano  Byung-Chul Han, conta um cenário em que o mundo contemporâneo, com inúmeras obrigações se tornam um dever árduo para os indivíduos. Nesse raciocínio, o mundo atual é extremamente prejudicial a homeostase emocional como diz o filósofo, por ser marcado pela “autoexploração” e cansaço, não proporcionando tempo para o autocuidado, o que pode vir a culminar em transtornos - “Burnout”, depressão, ansiedade, alimentares - que impactarão de forma danosa a vida dos pacientes. Torna-se claro, por dedução investigativa, o potencial lesivo do ritmo globalizado.

Depreende-se, portanto, que medidas são necessárias a fim de minimizar o aparecimento de patologias na psique dos brasileiros. Então, é imperativo que o Ministério da Saúde (MS), realize pesquisas detalhadas acerca dos malefícios decorridos da privação do autocuidado, aliado aos benefícios de sua prática regular na saúde cotidiana. Por meio da cooperação com instituições midiáticas, os resultados devem ser difundidos por multimídias analógicas e web. A partir dessas intervenções, será possível  impactar e estimular praticas preventivas que com o passar dos anos diminuiria os índices desses tipos de distúrbios, resultando no cumprimento pleno do conceito de saúde descrito pela OMS.