Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 26/10/2020
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe uma definição própria sobre o que é saúde mental, uma vez que existem fatores culturais que diferem o que é ser mentalmente saudável. Porém, a organização supracitada, acredita que é necessário que os seres humanos desenvolvam resiliência- capacidade de lidar com problemas ou algum tipo de evento traumático-. Assim sendo, é nítido para o individuo poder desenvolver tal capacidade é preciso dar importância à saúde mental e a cultura do autocuidado, o que não é visto na sociedade vigente, isso porque é presente a exiguidade de debates sobre esse assunto em concomitância com a reduzida ação estatal.
Mormente, é válido pontuar que um dos principais motivos para a cultura do autocuidado ser ausente na sociedade atual é o fato de não haver debates sobre tal assunto. Em consonância com o filósofo John Locke, os seres humanos nascem como folhas em branco e, ao longo de suas vidas, vão moldando-se a partir de suas experiências. Dessa forma, quando o Estado não debate sobre a importância do constante tratamento da saúde mental, estimula-se uma realidade a qual o indivíduo não consegue identificar sintomas de algum tipo de transtorno mental, por exemplo, depressão, ansiedade e, em casos mais graves, a esquizofrenia, cooperando para que a cultura do autocuidado não seja praticada.
Além disso, evidencia-se também, por parte do Estado, a escassez de políticas públicas suficientemente efetivas para o tratamento da saúde mental. Segundo o escritor Gilberto Dimenstein, nem sempre as leis presentes em documentos oficiais são de fato cumpridas, desencadeando uma realidade a qual o individuo só é reconhecido pelo papel. Com isso, quando o Estado coloca em sua Constituição, no artigo 196º, que a saúde é direto de todos e dever do Estado, mas não corrobora para criação de centros gratuitos para tratamentos da saúde mental, colabora-se, dessa maneira, para o não desenvolvimento da resiliência no cidadão brasileiro.
Portanto, cabe ao Ministério da Saúde (MS), por intermédio de verbas públicas, fazer uma campanha nacional de incentivo a cultura do autocuidado, criando por meio de programas televisivos e mídias digitais, espaços os quais possam ser discutidos a importância do cuidado à saúde mental e como o tratamento pode influenciar positivamente na vida do indivíduo, visando com que a cultura do autocuidado seja constantemente praticada. Faz-se mister, ainda, o Mistério supramencionado, crie e divulgue locais para o tratamento psicológico da população, fazendo, à vista disso, com que a sociedade possa desenvolver cada vez mais a sua resiliência e seja dada a devida importância à saúde mental.