Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 29/10/2020

O filme “Por lugares incríveis” retrata a história de dois jovens que vivem um romance, porém, no fim, um deles comete suicídio em virtude de atitudes depressivas e isoladoras. Dessa forma, é possível observar o perigo da inobservância da saúde mental, não só dos jovens, como também dos adultos e idosos. É necessário, portanto, analisar tal realidade de modo a identificar a negligência estatal e a banalização das patologias mentais que refletem na carência de autocuidado.

Em primeira instância, cabe ressaltar que a ideologia capitalista proporcionou a maioria dos indivíduos um cotidiano marcado por estresse e pressão. Dessa forma, muitas pessoas ao buscar perfeição em todos os âmbitos de sua vida, acabam fracassando e afetando sua estabilidade mental, com mazelas como a ansiedade e a depressão. Assim, ao procurar atendimento psicológico gratuito e não encontrar no Sistema Único de Saúde, elas acabam desistindo do tratamento, em virtude do alto custo da consulta com especialista, da terapia e da medicação necessária.

Em segunda instância, o Brasil é marcado por uma cultura tradicionalista que, muitas vezes, acarreta na dificuldade de aceitar uma doença mental, seja ela em si, em pessoas próximas ou em familiares. Além disso, vê-se o descaso com essas patologias que, geralmente são consideradas “frescura” e “preguiça”. Outrossim, é notório na atualidade, segundo o conceito de Zygmunt Bauman, “Modernidade Líquida”, o individualismo e a diminuição das relações interpessoais, que infere diretamente no psicológico dos indivíduos, haja vista que a busca por uma identidade através de consumo excessivo ,atinge as pessoas mais vulneráveis. Desse modo, a sociedade reflete as consequências dessas mazelas, que segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o país com mais pessoas ansiosas, somando 9,3% da população.

Diante dos fatos supracitados, conclui-se a importância do conhecimento acerca da saúde mental, para prevenir ou cuidar das patologias. Logo, urge que o governo, por meio do Ministério da Saúde, invista no diagnóstico e no tratamento da saúde mental, por meio da contratação de psicólogos nas Unidade Básicas de Saúde e a disponibilização dos medicamentos necessário de forma gratuita, para que todos tenham direito à saúde mental de forma democrática. Somando a isso, o governo deve oferecer incentivo fiscal as empresas que proporcionarem amparo aos seus funcionários necessitados, através da disponibilização de vouchers de atendimento psicológico e de terapia, de modo a proporcionar maior bem-estar, bem como rendimento no trabalho. Assim, será possível diminuir a incidência de casos e desconsiderar a afirmação, “A depressão é o mal do século”.