Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 31/10/2020
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão da falta de cuidados com a saúde mental no Brasil. Nesse contexto, torna-se evidente como causas a falta de empatia, bem como o silenciamento midiático.
Sob esse viés, a carência quanto aos cuidados com a saúde mental encontra terra fértil na falta de empatia. Na obra “Modernidade Liquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pela indiferença. Em virtude disso, há, como consequência, o individualismo, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez que influi sobre a questão funciona como um forte empecilho para sua resolução, uma vez que, a grande escassez de preocupação com o próximo, faz com que um individuo não perceba quando outro está precisando de ajuda, não lhe oferecendo, assim, o devido apoio e influenciando o agravamento da situação.
Outro ponto relevante, nessa temática, é o silenciamento midiático. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), quase 70% dos adolescentes e jovens com algum distúrbio mental não recebe nenhum tipo de assistência ou tratamento. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população sobre a questão, para que pais e responsáveis se posicionem quanto à necessidade de buscar ajuda especializada, a fim de não permitir que o transtorno evolua até o suicídio, influencia na consolidação do problema, tomando a decisão consciente de deixar assuntos importantes, de interesse publico, de lado, para “esconder” da população os números alarmantes de fatos como esse, com o intuito de que estruturas de poder sejam mantidas e de que a comunidade não se revolte.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o Ministério da Educação juntamente com o Ministério da Saúde devem desenvolver palestras em escolas, para alunos do Ensino Médio e últimos anos do Fundamental, por meio de entrevistas com vítimas do problema, bem como psicólogos especializados no assunto. Tais palestras devem ser webconferenciadas nas redes sociais dos Ministérios, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre a importância do cuidado com a saúde mental e atingir um publico maior. Dessa forma, poder-se-á criar um ideal de nação de que Machado de Assis pudesse se orgulhar.