Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 02/11/2020

O livro ‘‘Holocausto Brasileiro’’, lançado pela jornalista Daniela Arbex, retrata o descaso e maus tratos com pacientes no hospital psiquiátrico Colônia de Barbacena, onde os doentes eram oprimidos, ao invés de  serem tratados. De forma análoga, em todo o Brasil, pessoas que apresentam doenças psíquicas não recebem a devida assistência, o que acarreta em impactos sociais durante toda a vida do individuo. Tal problemática ocorre, principalmente, devido a negligência estatal na área da saúde, associada a pressão psicológica sobre o cidadão na sociedade moderna.

Em primeira análise, é valido ressaltar que a Constituição Cidadã do Brasil, de 1988, assegura o direito a vida, saúde,e bem estar á todos. Entretanto, o Estado Brasileiro pouco investe em politicas públicas de contenção ao avanço de transtornos mentais na população, colaborando assim para os altos índices de pessoas depressivas e, até mesmo, suicidas. Com isso, a campanha de prevenção ao suicídio, como a do Setembro Amarelo, apesar de gerar visibilidade a causa, dão enfoque ao tema somente uma vez ao ano, e é insuficiente para sanar essa mazela social, visto que, a assistência médica e social nessa área é escassa e de difícil acesso aos que sofrem de distúrbios psicológicos.

Outrossim, é notório ainda, que a vida globalizada do século XXI, maximiza o imbróglio em questão. Nesse contexto, o livro Sociedade do Cansaço, do filósofo Byung Chul Han, denota que as patologias neurais da atualidade surgem por imposições sociais aos cidadãos em alcançarem metas e serem produtivos. Dessa forma, a criação na internet de estereótipos e uma vida idealizada para ser bem sucedida, leva, sobretudo os jovens, a desenvolverem ansiedade, baixa auto estima, e uma busca implacável  pelo sucesso que acaba por gerar o adoecimento e cansaço mental. Assim torna-se imprescindível a conscientização pelo autocuidado e procura por tratamento quando ocorrer o esgotamento psicológico.

Portanto, é mister que o Governo Federal, aliado ao SUS, órgão responsável pela saúde no país, intensifique o investimento na promoção a saúde, com a inserção de um maior número de profissionais como psiquiatras e psicólogos, em ambientes escolares e laborais parar facilitar o acesso ao tratamento de doenças mentais, a fim de que os direitos humanos não sejam só prescrições teóricas. E ainda, é necessário que, este mesmo órgão, realize campanhas de conscientização para que a população alie a busca pelo sucesso pessoal, com a manutenção da própria saúde mental, com o intuito de que o desamparo psicológico aos doentes, como a que existia no hospital Colônia de Barbacena, fique somente no passado.