Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 03/11/2020
Em 1961, o filósofo contemporâneo Michel Foucault publicou sua tese de doutorado “História da Loucura”, que garantiu um dos principais exemplares para a discussão da psicologia. Nesse sentido, no que se refere à saúde mental e o autoconhecimento no século XXI, é possível afirmar que essa necessita de uma atenção especial, uma vez que hodiernamente ela foi colocada em segundo plano por grande parte do tecido social brasileiro. Isso se evidencia não só pelo individualismo gerado após o advento da tecnologia, mas também pelo esgotamento profissional.
Em primeiro plano, vale ressaltar que para Foucault, pessoas taxadas como loucas são aquelas que não estão de acordo com as normas exigidas pela sociedade. Assim sendo, como apontado por Phil Knight (fundador da Nike, Inc.) a partir do momento que o indivíduo começa a pensar diferente das outras pessoas e tentar algo que ninguém ainda ousou fazer, essa pessoa certamente será taxada como louca. Dessa forma, a saúde mental é colocada e padronizada de acordo com as normas e regras do comum entre a sociedade.
Outro fator que colabora para deixar a saúde mental abalada é o esgotamento profissional. Diante disso, até nos anos de 1996 o Hospital Colônia, no município mineiro de Barbacena, estava em atividade com o intuito de tratar pessoas com distúrbios psicológicos, mas como relatos dos próprios profissionais que atuavam no local, a situação era surpreendentemente precária, as medidas de tratamento eram extremamente torturantes e falta de acompanhamento superior era recorrente. De acordo com o site “Super Abril”, mais de 60 mil pessoas foram mortas devido a tratamentos desumanos e precariedade dos serviços prestados. Logo, torna-se evidente o descaso governamental que vem até os dias atuais em relação as pessoas que precisa de um tratamento para transtornos mentais.
Em suma, para que essa problemática seja eliminada da nossa sociedade, cabe ao Governo, principal responsável pelas modificações sociais, juntamente com o Ministério da Saúde e da Educação promover campanhas com profissionais qualificados da área, por meio das redes sociais e pelas escolas, com a finalidade das crianças crescerem com um autocontrole efetivo. Outro aspecto é proporcionar condições dignas de trabalho para que intervenção seja a mais efetiva e tranquila possível.