Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 04/11/2020
No período mágico-sacerdotal doenças mentais e o tempo retirado para cuidar do próprio bem-estar não possuíam relevância alguma, pois pessoas que apresentavam comportamentos diferentes do resto da sociedade eram consideradas possuídas. Analogamente a esta conjuntura, é perceptível que a sociedade não tem dado a devida consideração para o autocuidado. Nesse contexto destaca-se a relevância da prática do desvelo perante a si mesmo. No entanto tal processo se encontra em um curso lento, uma vez que muitos tratam esse assunto de forma irrisória e não reconhecem a excepcionalidade de tratar da própria saúde mental.
Primeiramente, é válido destacar que a lenta mudança na mentalidade social colabora com esse cenário, isso ocorre porque cada vez mais essa circunstância se torna um novo “normal” dentro da sociedade. Esse processo pode ser elucidado levando em consideração a teoria da filósofa alemã Hannah Arendt, quando a mesma fala que quando uma atitude errada se apresenta constante as pessoas param de ver a mesma como inadequada. Outro fator a ser mencionado é que com o surgimento do meio técnico-científico-informacional, grande parte da população visa apenas o acúmulo de capitais e esquece completamente do mais importante: cuidar de si mesmo. Destarte, com a enorme pressão criada pelo sistema capitalista e o tempo destinado a este, se torna quase impossível manter-se bem mentalmente.
Destarte, a sociedade em geral sofre com consequências severas a partir da falta de uma cultura do autocuidado. Entre essas, pode-se observar o surgimento de doenças mentais, como ansiedade e depressão (Que geralmente são as mais comuns) e também a falta de compromisso em outras áreas da vida. Com um exemplo das enfermidades mais comuns pode-se ressaltar a Síndrome de Burnout (gerada pelo cansaço ligado à vida profissional) que demonstra claramente o esgotamento físico e mental quando não há uma atenção a si próprio. Desse modo, é de suma importância que a população busque ajuda a fim de se tratar de uma forma correta e viver em equilíbrio.
Portanto, fica evidente a importância de se valorizar a saúde mental e a busca pela atenção às próprias necessidades corporais no hodierno. Nesse âmbito, o Ministério da Saúde em conjunto com instituições escolares e empresariais podem criar projetos que visem a relevância do conforto mental humano por meio de palestras. Além destas, pode também haver um maior incentivo da busca pelo tratamento de enfermidades geradas pelo estresse diário seja na escola ou trabalho a fim de se cessar a falta do afeiçoamento a si mesmo. Sendo assim, o brasileiro pode romper com a normalização do não autocuidado, como previsto por Hannah Arendt.