Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 05/11/2020
A segunda geração do Romantismo brasileiro, denominada ultrarromântica, é caracterizada por obras de tom pessimista e depressivo, o que denuncia a visão de mundo distópica da época. Entretanto, essa “tendência” do século XIX continua vigente nos dias atuais, momento que são observados crescentes índices de patologias mentais, como a depressão. Logo, urge pensar em formas de perpetuação da saúde mental e da cultura do autocuidado dos brasileiros, que são impedidas pela insuficiência legislativa e pela má influência da internet perante o tema.
Sob esse viés, é importante ressaltar a falha do Estado em implementar o que é determinado pela legislação. Isso por que, de acordo com Constituição de 1988, é dever do Governo fornecer acesso universal à saúde, incluindo meios de bem-estar mental, como terapia psicológica. Entretanto, isso não acontece na prática, vistos os altos índices de suicídio e depressão apresentados pela Organização Mundial da Saúde. Portanto, é crucial que o Poder Público adote uma mudança de postura.
Ademais, é notória a irresponsabilidade do mundo digital diante a adversidade. Nesse contexto, é de se destacar que a manipulação de conteúdos, denunciada pelo documentário da “Netflix”, o “Dilema das redes”, prejudica o sono e a autoimagem de seus usuários, o que auxilia o desenvolvimento de doenças psicológicas. Portanto, na época da globalização, onde o acesso às mídias digitais é rápido e fácil, todos estão à mercê desse “controle psicológico”.
Em suma aos argumentais supracitados, é necessária uma intervenção no problema. Logo, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da Saúde, pôr em prática o seu dever de cuidar da saúde mental da população, através da disponibilização de atendimento psicológico gratuito em todos os postos de saúde públicos e, também, de campanhas contra a depressão, que informem os cidadãos sobre a doença e dê visibilidade à medida que deve ser adotada. Não obstante, o Poder Legislativo deve criar uma emenda que proíba a manipulação digital de qualquer usuário, a fim de evitar o uso excessivo e a degradação da autoimagem desses, contribuindo para seu bem-estar mental. Só assim seremos um país que deixará os pensamentos pessimistas e depressivos no século XIX.