Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 07/11/2020
A obra literária “Triste fim de Policarpio e Quaresma”, escrita pelo pré-modernista Lima Barreto, retrata os malefícios psíquicos sofridos por um indivíduo que valorizava excessivamente um ideal, esquecendo-se do autocuidado. Analogamente, fora das páginas, a anulação pessoal exorbitante pode gerar tamanho mal-estar mental e distúrbios psicológicos. Nesse sentido, seja pela constante desmotivação midiática ou pela baixa valorização da psicoterapia, a atenção ofertada às emoções na contemporaneidade mostra-se incipiente e, por isso, carece de cuidados.
Previamente, é necessário salientar a influência mercadológica na baixa autoestima populacional. À medida em que a Segunda Revolução Industrial instituiu-se, o surgimento do marketing buscou despertar nos civis desejos antes desnecessários. Assim, o “American Way Of Life” ostentador, por exemplo, e o contingente de comerciais com corpos padronizados remetem aos cidadãos padrões de vida perfeitos, desconectados da realidade. Dessa maneira, pessoas são incentivadas a buscar um ideal de bem-estar específico - Geralmente associado ao consumo - Afastando seu gasto monetário de acompanhamentos mentais. Indo nessa ótica, a alto significação ideológica levou o jovem Policarpio, da literatura, à depressão. Entretanto, de acordo com o sociólogo Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”. Desse modo, elucidar a importância da preservação pessoal é imperioso para a possibilitar a homeostase social.
Ademais, a não identificação pela sociedade da psique como parte nociva do corpo contribui para a efetivação de casos alarmantes. Conforme os novos ritmos de trabalho foram impostos, após o século XVIII, a produção empregatícia cunhou-se o mais importante na vida dos indivíduos. Nesse viés, problemas emocionais são enxergados como perda de tempo, visto que atrasam os prazos, tendo como resultado a desvalorização de psicólogos e a pouca oferta de terapia nos hospitais públicos. Consequentemente, a baixa procura aumenta o valor de consultas psíquicas particulares, excluindo os desviantes do apoio preciso. Logo, aumentar os atendimentos gratuitos é crucial para a população.
Portanto, ações são indispensáveis para disseminar a cultura do autocuidado. Dessa forma, a criação de propagandas que ressaltem os variados tipos de beleza e a relevância da autopreservação, por meio de parcerias entre o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e empresas midiáticas, é mister a fim de que os civis atentem-se mais a si mesmos. Para isso, a renda do Ministério da Cidadania serviria como custeio. Além disso, a contratação de psicólogos para os principais hospitais governamentais, por intermédio de uma medida do Ministério da Saúde, é crucial para atender a quem precisa. Apenas assim casos iguais os de Policarpio não serão comuns.