Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 09/11/2020
A Teoria do Autocuidado, publicada em 1959 pela enfermeira Dorothea Orem, consiste na ideia de que os indivíduos, para manter a vida, saúde e bem-estar, realizam atividades em seu benefício, desenvolvendo, assim, a capacidade de cuidar de si mesmo. Não obstante, haja visto o atual panorama do setor de saúde mental do Brasil, verifica-se a limitação social do autocuidado. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão da ineficiência do Estado, mas também devido à banalização dos problemas psicológicos, por parte da sociedade, o que demanda ação pontual.
É relevante abordar, de início, que é notória a ineficácia das autoridades na expansão de serviços de saúde mental no Brasil. Conforme dados da Organização Mundial da Saúde, o país comporta o maior número de pessoas ansiosas no mundo, cerca de 9,3% da população. Isso traduz a necessidade da ampliação do financiamento governamental no que tange à rede assistencial de serviços em prol da saúde mental no Sistema Único de Saúde – SUS –. A fim de proporcionar um atendimento psicológico de qualidade e coibir o desenvolvimento de quadros perigosos, a exemplo da depressão e dos transtornos de autoimagem.
Paralelo a isso, vale também destacar que a desvalorização da saúde psicológica, pela maioria das pessoas, corrobora para a não perpetuação do autocuidado. Segundo o filósofo John Mill, os seres humanos são soberanos sobre seu próprio corpo e mente. Todavia, isso não é evidente. Afinal, enfermidades como a depressão e a ansiedade, são, de modo geral, vistas por muitos como questões de pouca importância. Pois, através de opiniões como “besteira”, “antissocial” e “falta do que fazer”, as pessoas contribuem com a banalização dos problemas psicológicos, tornando os indivíduos submissos à pressão social, ao invés de dominadores do cuidar de si próprio, isto é, estarem atentos às próprias necessidades do corpo e da mente.
Tendo em vista o que foi discutido, é mister que medidas sejam implementadas para reversão do cenário supracitado. Dessarte, o Ministério da Saúde deve direcionar mais recursos à Rede de Atenção Psicossocial, sobretudo aos Centros de Atenção Psicossocial, – CAPS–, a fim de ampliar e melhorar o atendimento psicológico. Através da criação de projetos sociais, em parceira com as Secretarias Municipais de Saúde e de Cultura, como cinemas ao ar livre, nas praças públicas, que exibam documentários envolvendo a importância da valorização da saúde mental e da conscientização da sociedade acerca da gravidade das doenças psicológicas, enfatizando a importância do apoio familiar e da socialização. Desse modo, poder-se-á alcançar o autocuidado proposto por Orem.