Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 09/11/2020
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a saúde mental e a importância do autocuidado vista com um certo preconceito, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intimamente ligada à realidade do país, seja pela forma de como tratam pessoas com problemas neurológicos, seja pela falta de motivação ao cuidado com si mesmo.
É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Na novela “Caminho das Índias”, o jovem Tarso interpretado por Bruno Gagliasso, sofre de esquizofrenia e a maneira como a família o trata com tanto repúdio e vergonha de lidar com a situação, é um reflexo da realidade de hoje. Diante disso, a vida das pessoas com esses transtornos é um desafio, devido não só a negligência governamental, mas também o prejulgamento da sociedade.
Outrossim, destaca-se o pouco incentivo ao autocuidado como impulsionador do impasse. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que as pessoas na maioria das vezes deixam de fazer algo por si mesmos, de atuar pelo seu bem estar, e acabam a causar estresse, autoestima baixa, tudo pelo pouco apoio que recebem para procurar uma ajuda e garantir uma vida melhor.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor. Destarte, o Ministério da Saúde deve promover planos juntamente com profissionais da área psicológica, para realização de palestras sobre a importância do cuidado mental, terapias para aqueles cidadãos que não possuam condições, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.