Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 12/11/2020

A Constituição Federal brasileira, promulgada em 1988, garante em suas disposições, uma série de direitos sociais, dentre eles o direito a vida. No entanto, apesar de tal promessa, o que se percebe é a não plenitude desse direito na prática, visto que a saúde mental e a importância do autocuidado ainda é negligenciado, por falta de consciência social e pelo silenciamento social. Sob tal perspectiva, é imprescindível o debate e superação desses impasses.

Primeiramente, a falta de consciência social é uma das razões pela qual o problema persiste. Nessa lógica, Karl Marx, desenvolveu várias críticas sobre a atuação governamental em relação à educação cidadã na sociedade. Se tratando da saúde mental e do autocuidado, é possível perceber que elas se fundamentam, pois o Estado brasileiro não promove em nenhuma de suas instâncias, como escola ou meios de comunicação, da importância de desenvolver hábitos de cuidar de si mesmo, para poder “ouvir” o que o corpo e a mente estão precisando, com isso, prevenir eventuais doenças psicológicas e até mesmo físicas, ferindo, assim, a cidadania e as garantias constitucionais.

Ademais, o silenciamento social é obstáculo secundário do problema. Em consonância a isso, a escritora brasileira, Martha Medeiros, discorre, em uma de suas obras, sobre a falta de debate social, afirmando que o indivíduo silencia aquilo que ele não quer que venha à tona. Desse modo, é notório a relação da afirmação da autora e a questão da saúde mental e do cuidado pessoal, já que o Estado brasileiro mantém essa questão silenciada, porque ainda existe muito preconceito e tabus acerca de doenças ligada a saúde mental, como depressão e ansiedade, pois o seu debate trará a exposição de muitos reveses e a fundamentação de incontáveis consequências, como suicídio, por exemplo, das quais, seus responsáveis, não demonstram capacidade para resolver.

Por fim, medidas são necessárias para a resolução do cenário. Sendo assim, o Ministério da Educação, por meio das escolas e universidades, devem promover oficinas, palestras e campanhas de debate social, que possibilita a discursão de assuntos silenciados socialmente como a saúde mental e a cultura do autocuidado. Tais debates devem extrapolar o espaço acadêmico, inclusive pela internet, com transmissões ao vivo pelas redes sociais, por exemplo, para aumentar a possibilidade de discursão e para que toda a sociedade tenha conhecimento do assunto. Espera - se, dessa forma, que o tema deixe de ser um assunto desconhecido e assim os direitos sociais da Constituição Federal, sejam garantidos.