Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 12/11/2020

Domenico de Masi, sociólogo atual, explana o “ócio criativo”, a ideia de que é necessário o momento de lazer e de descanso para a recomposição do eu, atitude que, ainda, melhora a criatividade e gera maior desempenho no trabalho. Apesar dos benefícios do ócio, bem como do autocuidado, nota-se descuido prejudicial das pessoas. A saúde mental, por sua vez, é um assunto de destaque; no entanto, pouco praticado. Na sociedade do século XXI, imersa em hiper-produtividade, há sempre a sensação de atraso e desvantagem ao se comparar com terceiros. Tal comportamento leva à superficialidade, além da falta de prudência com os hábitos, que, afetados, danificam a saúde mental.

Primeiramente, cabe analisar o caráter instantâneo e aparente da modernidade. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, a sociedade corrente é afetada pelo imediatismo e pela superficialidade. Desse modo, os aspectos em conjunto geram um afastamento entre o indivíduo e o autocuidado, sendo que o segundo levaria à estruturação da saúde mental como um todo. A distanciação, no caso, ocorre porque um ser humano irrefletido, tanto por tomar decisões “para ontem” quanto por não questionar suas próprias motivações está sujeito a viver despropositado, logo, não reconhece a importância de cuidar de si mesmo.

Assim sendo, é necessário que o indivíduo compreenda o todo para deliberar a renúncia dos aspectos prejudiciais à saúde mental - reconhecendo ser um processo gradual. Para tanto, é primordial o desenvolvimento de hábitos de autocuidado. Segundo Charles Duhigg, repórter investigativo do New York Times, autor de “O Poder do Hábito”, esclarece estratégias para a transformação dos hábitos, revelando ser possível moldar os costumes mais antigos com muito esforço e disciplina. Duhigg diz existir intrínseca relação entre uma deixa, a rotina e uma recompensa. Portanto, com os recursos precisos, a sociedade como um todo é capaz de praticar o autocuidado, que é o primeiro passo para desenvolver e estruturar a saúde mental.

Destarte, para que haja incentivo à busca por soluções concretas e práticas para a problemática, o Poder Executivo deve desenvolver um projeto que vise a propor encontros nas cidades do Brasil, promovendo palestras e espaço para discussão sobre a temática. Os encontros devem ser a cada 6 meses, com preço acessível. Ainda, o planejamento deve ser executado por meio dos profissionais da área, como psicólogos e psiquiatras, e publicitários para a expansão das informações nos meios de comunicação, de forma estratégica. Dessa maneira, a sociedade compreenderá a questão e sua relevância, tratará o que for preciso e, a médio e a longo prazo, não será mais imediatista e superficial, mas provida de hábitos saudáveis.