Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 23/11/2020

No livro ‘‘por lugares incríveis’’ de Jennifer Niven, é retratada a vida de dois adolescentes da era moderna, Theodore Finch e Violet Markey. A narrativa foca principalmente em Theodore, um garoto de 17 anos, que tem sua saúde mental bastante afetada, porém sua família e seus poucos amigos não percebem. Ele nunca fora à um médico por tal motivo, consequentemente, não tem um diagnóstico concreto de sua doença. Violet e o orientador pedagógico de Theodore, são os únicos que tentam ajudá-lo de algum modo, eles até ‘‘conseguem’’, mas infelizmente, o garoto não sabe lidar com sua instabilidade emocional e se suicida. Fora da ficção, é fato que essa realidade pode ser associada com a de muitos jovens e adolescentes do século XXI, onde sofrem com alguma instabilidade emocional e/ou mental, no entanto não tem um diagnóstico sobre tal mal, nem mesmo conversam sobre, e muitos, assim como Theodore, acham que o único jeito de resolve-la é com o suicídio.

Primordialmente, é importante destacar que o diagnóstico médico é muito elucidativo para saber com o que está lidando, pois cada transtorno mental é diferente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a maioria dos transtornos mentais não são diagnosticados e nem tratados. Todavia, uma das principais causas para não se fazer o diagnóstico, é que perante a sociedade ainda é um tabu falar sobre transtorno mental, o que leva os jovens ocultar apenas para si, os fazendo lidar sozinhos até onde conseguem. Assim como no livro ‘‘por lugares incríveis’’, os jovens ficam a mercê da doença.

Por conseguinte, presencia-se que os jovens que enfrentam essa doença, estão praticamente sozinhos e perdidos, pois eles não têm o amparo de sues amigos, familiares e nem de um especialista para os ajudarem. A OMS já confirmou que a relação dos jovens e adolescentes com distúrbios mentais confirmados, acarreta em uma evolução para o suicídio, e a Organização Pan Americana de Saúde, afirmou que o suicídio está em terceira posição como a causa de morte em jovens de 15 a 19 anos.

Portanto, é mister que o estado tome providência para amenizar o quadro atual. Para conscientizar a população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério da Saúde (MS) juntamente com o Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, grupos de apoio em todas as escolas do Brasil, levando assim, o maior número de informações sobre os distúrbios mentais e acolhendo jovens e adolescentes que estão passando por esta situação. É muito importante que nestes grupos tenham profissionais qualificados como psicólogos, professores, psiquiatras e até pessoas que já enfrentaram algum distúrbio mental, para que possa ter a prova que essa doença pode ser tratada e que não é o fim. Somente assim, com apoio e orientação, os jovens serão restaurados e não terão o mesmo triste fim de Theodore Finch e de muitos outros jovens.