Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 19/11/2020
Banalizar é o que mata.
Para UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura), a cultura confere ao ser humano a capacidade de refletir sobre si mesmo, através da reflexão, o homem compreende valores e procura novos significados. Entretanto, o processo de criação de uma cultura está amiúde associado à desconstrução de outra: para construir o autocuidado, deve-se destruir conceitos como cultura da proatividade e produtividade a qualquer custo. Esse é um fenômeno que coopera para a criação de uma sociedade constantemente levada a cobrar, não a cuidar e as consequência são graves, devendo ser debatidas.
É conhecido que durante toda a história da humanidade o ser humano se desenvolveu a partir da produção e criação, quer de objetos, quer de ideias. Desde a criação da roda até o primeiro computador, tudo partiu de alguém pensando, calculando, trabalhando, criando e revolucionando. Contudo, no decorrer das décadas, o conceito de criar passou a ser compreendido como uma obrigação constante de todos os indivíduos de forma que o sucesso não é mais medido pelo que é feito, mas do quanto é feito. Ou seja, quanto mais se produz ou quanto mais atividades são exercidas, mais bem visto se é. Por essa linha de pensamento, cuidar de si próprio e priorizar as próprias necessidades passou a ser considerado como perda de tempo.
No que tange ao dia a dia, essa realidade fica evidente na vida de estudantes do ensino médio e universitários que, além da pesada carga horária de estudo, são levados pela cultura em que estão inseridos a incansavelmente buscar algo que os coloquem em vantagem, lendo livros, fazendo cursos, tendo ideias, executando projetos, ouvindo um “podcast”, se exercitando diariamente. Se há um espaço na agente que não esteja ocupado por alguma atividade, então ele não está sendo suficientemente produtivo. É nesse contexto que surgem problemas psicológicos como ansiedade, depressão, pânico, suicídio, entre outros. Taxados pela sociedade como sentimentalismo, esses males são deixados de lado, mas como afirma Aldous Huxley: “Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados.”. O autocuidado tem a função de equilibrar o cotidiano, olhando para o que ocorre dentro de cada um e se atentando ao que é importante para cada indivíduo, independentemente do pensamento coletivo.
Para resolver o impasse, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Congresso Nacional da Psicologia (CNP), levar a todas as escolas do país psicólogos que atendam aos alunos e expliquem, através de palestras, porque ser atencioso consigo é crucial para ter uma vida tanto produtiva como feliz. Dessa maneira a saúde mental será uma prioridade, não uma banalidade.