Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 19/11/2020
A modernidade e sua ‘pseudo-liberdade’
“Temos que reconhecer humildemente: desenvolvimento tecnológico não trouxe o desenvolvimento psíquico esperado.” - Augusto Cury. A afirmação do psiquiatra e professor refere-se a um tema muito recorrente hodiernamente: a saúde mental. É evidente que as diversas transformações pelas quais a sociedade tem passado nos últimos anos alteraram de forma significativa a maneira como as pessoas se portam e distinguem a realidade, dando vez a doenças psiquiátricas, como depressão e ansiedade. Nesse sentido, é imperioso que reflexões sobre o autocuidado sejam estabelecidas, de modo a buscar maneiras que evidenciem a importância do mesmo.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar que a partir da segunda metade do século XX, a Revolução Técnico-Científico-Informacional mudou completamente as relações sociais existentes, afetando também a qualidade emocional da população. É notório que o mundo capitalista globalizado exige uma grande qualificação e disposição profissional dos cidadãos, demandando cada vez mais tempo e dedicação. Contudo, diante desse requerimento, surge a necessidade de se destacar em meio ao mercado, levando o individuo ao distanciamento de si mesmo, focando em interesses comercias. Sendo assim, o autocuidado deixa de ser retratado com a importância devida.
Em segundo lugar, o surgimento da internet e das redes sociais gerou um distanciamento coletivo, ilhando as pessoas em uma situação de pura estética. Segundo o filósofo e sociólogo, polonês, Zygmunt Bauman, a sociedade tem vivenciado a modernidade líquida, na qual as pessoas estão cada vez mais individualistas e as relações cada vez mais efêmeras, trazendo uma ideia de falsa liberdade. Dessa forma, a crescente necessidade de impressionar um público desconhecido distancia o individuo de si, prejudicando sua qualidade de vida e posicionamento mental.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para superar o impasse do quadro atual. Para que a sociedade mude sua visão acerca dos cuidados pessoais, urge que o Ministério da Educação promova palestras nas escolas, conduzidas por psicólogos e psiquiatras. Ademais, é de suma importância que o Governo Federal invista na contratação destes profissionais em hospitais e postos de saúde, do SUS, Sistema Único de Saúde, para que todos possam receber os cuidados necessários. Assim sendo, a população se emancipará de sua liberdade ilusória, mantida pelas tênues relações advindas das evoluções tecnológicas, e receberá o devido auxílio para a evolução social e psíquica.